Você sabia que o olho humano não tem a mesma sensibilidade para todas as cores? Apesar de ser muito comum as pessoas acharem o contrário, foi comprovado que o ser humano possui diferentes sensibilidades para ver as cores vermelhas, verdes, azuis, amarelas, cinzas.
Para entendermos um pouco melhor este assunto devemos primeiro entender que a cor é definida por meio de três atributos: tom, luminosidade e saturação. O tom é o atributo mais importante da cor, e é por meio do tom que classificamos as cores. A luminosidade pode ser definida como sendo a variação de claro para escuro dentro de uma mesma família de tom. A saturação é o atributo da cor ligado diretamente à concentração do elemento corante, ou ao distanciamento do ponto acromático. Seguramente o tom é o atributo cuja variação é mais percebida pelo ser humano e é este atributo que devemos procurar controlar com maior seriedade.
Desde 1930 a CIE, Comissão Internacional de Iluminação, procura mapear a sensibilidade dos observadores, fazendo diversos testes. Foi em 1964 que chegou-se a um modelo matemático mais uniforme que permitiu o cálculo do Delta E. Em 1976 o espaço Lab foi desenvolvido e, a partir de então, a cor passou a ter um espaço cartesiano e um endereço tridimensional no espaço.
Mesmo com a utilização do espaço Lab e, por conseqüência, das tolerâncias Lab, a discordância entre aquilo que o olho humano aprova ou reprova continuava sendo um grande problema, pois em 75% dos casos as pessoas não concordavam com o resultado de avaliação. Pensando neste problema, a CIE iniciou o desenvolvimento do modelo matemático com coordenadas polares e chegou ao espaço LCh, que, na verdade, é um ótimo complemento para o modelo de coordenadas cartesianas Lab. Somente com o uso de coordenadas polares a cor pôde ser efetivamente classificada por meio dos atributos que a definem, ou seja, tom, luminosidade e saturação.
Com o objetivo de aumentar a concordância entre o olho humano e as tolerâncias até então utilizadas, a CIE, juntamente com uma comissão inglesa de estudiosos da cor, realizou diversos testes visuais e concluiu que a melhor forma de representar a sensibilidade visual humana seria transformar e tabelar todos os resultados de teste sob a forma elíptica. Surge assim o sistema mais aceito atualmente, o chamado de Sistema CMC. Este sistema considera o que muitos achavam impossível. O olho não tem a mesma sensibilidade para todas as cores e, portanto, é necessário que automaticamente estas tolerâncias aumentem e diminuam. Para isso, o sistema de tolerâncias CMC possui diferentes tamanhos de tolerância para cada sensibilidade do olho humano.
A cor cinza é a cor para a qual temos maior sensibilidade, ou seja, é a cor na qual mais enxergamos as diferenças. Se observarmos a figura abaixo, vamos ver que as elipses no centro estão muito menores do que as elipses das extremidades. 
Então, comprovadamente, quanto menor a saturação da cor que estamos avaliando, menor terá que ser a tolerância para sua aprovação. A grande vantagem dos sistemas baseados em elipses de sensibilidade é exatamente esta. Automaticamente as tolerâncias são aplicadas para as cores em avaliação.
Portanto, se você ainda não usa tolerâncias elípticas, considere iniciar a sua utilização a partir de hoje. É por não conhecê-las que muitos profissionais deixam de lado os seus espectrofotômetros, por não concordar com o que ele aprova ou reprova. Recomendamos no início, a utilização de uma tolerância CMC com os seguintes índices:
l = 2 c = 1 cf = 1
Os próximos artigos discorrerão sobre estes e outros tipos de tolerâncias elípticas que visam sempre o aprimoramento das tolerâncias, para que ocorra a concordância entre o olho humano e o olho eletrônico.
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