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DeskTop 093 - Padronizando cores em softwares Adobe voltar

Artigo publicado na revista Desktop edição 93. Autor: Marcelo Copetti.
O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor.
www.dtp.com.br

- Pode imprimir um layout deste trabalho, por favor?
Preciso que o cliente aprove para poder enviar para a gráfica.
- Posso sim, mas a prova fica muito diferente da impressão.
- Como? Por quê? O que falta?
Este é um diálogo bastante comum dentro de uma empresa que trabalhe com impressos e outros tipos de mídias. Se você se identificou com esta situação, é porque, provavelmente, estão faltando detalhes na hora da impressão do seu layout.
Aqui está o que faltava para você imprimir da maneira correta a sua prova, tendo resultados bastante próximos da impressão final.

Qual a sua expectativa?
Quando se pensa em simular uma impressão, o primeiro passo é definir a sua expectativa, ou seja, a precisão desejada de acordo com o ambiente no qual o seu trabalho está inserido.
    Este artigo tem a intenção de mostrar como obter uma prova simulando uma impressão de gráfica ou de qualquer outra mídia com ótimos resultados. Isso significa que em nosso ambiente não dispomos da mais alta tecnologia de prova, como por exemplo impressoras de altíssima qualidade (jato de tinta, alta resolução, cores de escala + as cores light, etc) e softwares RIPs poderosos, capazes de converter cores com precisão e rasterizar os arquivos da mesma forma que o software da gráfica o fará.
    Mas, neste ambiente, temos uma impressora jato de tinta ou ainda uma impressora laser com um perfil ICC criado especificamente para esse conjunto (impressora + papel utilizado). Com isso, teremos resultados bastante próximos, mas não exatos. As cores terão seus desvios mais grosseiros corrigidos.
    Dentro de ambientes que exigem uma precisão maior para liberar um trabalho para impressão, essas provas podem servir para decisões de cores durante o trabalho, evitando assim que a prova da gráfica fique muito diferente da sua, ou, ainda, evitar surpresas.

O que é a arquitetura comum da Adobe?
    A Adobe, ao longo dos anos, foi aprimorando a sua arquitetura destinada ao controle de cores através do gerenciamento de cores. O primeiro aplicativo a surgir com tais controles foi o Photoshop e, ao serem lançadas novas versões, houve um descompasso entre os recursos e opções com outros aplicativos como Illustrator, InDesign etc.
    Enquanto o Photoshop mostrava cores reais, os outros softwares não tinham a mesma capacidade. Nessa época, era muito comum ouvir falar que as fotos deviam ser visualizadas no Photoshop e não em outros softwares.
    Para resolver isso, a Adobe criou uma arquitetura comum de Gerenciamento de Cores para todos os seus aplicativos. Então, com o lançamento da primeira versão do pacote Creative Suite, ela permitiu que a mesma configuração de cores fosse compartilhada para todos os aplicativos do pacote CS, bastando criar uma configuração para que ela esteja disponível em todos os softwares. Todo o controle do Gerenciamento de Cores do Photoshop está concentrado na janela Color Settings. Esta janela possui algumas diferenças entre os aplicativos, mas as similaridades são em um número muito maior.
    Além disso, ao se criar uma configuração, um bom começo é utilizar o Photoshop. Isto porque é a janela com o maior número de opções disponíveis. Depois de criada no Photoshop, basta escolher a mesma configuração para outros aplicativos ou utilizar o Adobe Bridge para sincronizá-las.
    Imagine que você precisa ter configurações distintas para uso em materiais que vão para impressão do folder em papel couché liso em offset, e outra para o jornal que apresentará uma peça da mesma campanha. Com a configuração salva, bastará escolher a que deseja utilizar a partir de uma lista. Todos os perfis ICC que
aparecem no Color Settings devem estar localizados em determinadas
pastas dentro do sistema operacional para que possam ser reconhecidos pelo Photoshop.
    No Mac OS X, você deve copiá-los em: Disco rígido/Users/Nome do usuário/Library/Application Support/Adobe/Color/Profiles.
    No Windows você deve copiar em: C:WINDOWSsystem32spooldriverscolor

Sincronizando as confi gurações de cores
    O Bridge é uma ferramenta muito útil para organizar os mais diversos arquivos utilizados pelo pacote da Adobe. Mas ele também possui a função de sincronizar as configurações de cores para todos os aplicativos do Creative Suite, evitando assim que tenhamos que abrir todos os aplicativos e escolher a configuração criada na caixa Color Settings de cada um deles.
Sincronizando configuracoes
    Para sincronizar a configuração entre os aplicativos, você pode abrir o Bridge e então escolher o Creative Suite Color Settings. A lista das configurações que você criou em qualquer um dos aplicativos está imediatamente disponível.

Como imprimir corretamente?
    A impressão simulando os resultados corretos é bastante simples nos programas da Adobe.
Color Settings    O conceito é o mesmo usado em todos os aplicativos, mas, como eles possuem interfaces e recursos diferentes, essas opções então aparecem em lugares distintos. Mas isto não dispensa a necessidade do Color Settings estar configurado corretamente, pois, em todos os programas, serão usadas informações dessa configuração para definir a simulação de cores.
Sincronizado pelo Bridge
    As sugestões para impressão a seguir considerarão a realidade do mercado brasileiro, onde a grande maioria das empresas não usa um conjunto de impressora e papéis do mesmo fabricante. Dessa forma, assumiremos que um perfil ICC foi criado para atender este conjunto de impressora e papel.
    Caso a sua empresa utilize o conjunto “impressora + papel” do mesmo fabricante, fique atento às informações de onde escolher entre o Gerenciamento de Cores - pelo software ou pelo driver do fabricante -, e então opte pela segunda opção e configure o driver da sua impressora de acordo com as instruções do fabricante.
    No Photoshop a melhor opção é utilizar o Print with Preview. No InDesign e Illustrator, basta escolher Print.
    Inicialmente, escolha a opção Color Management (Gerenciamento de Cores), como mostrado no quadro da página a seguir, para ter acesso às opções.
    No grupo Print (2), defina que será impressa uma prova (Proof). No grupo Options (Opções), serão tomadas as principais decisões. No campo 3, escolha quem converterá as cores: o aplicativo (Photoshop, InDesign ou Illustrator), no caso de você possuir um perfil ICC criado especificamente para a sua impressora e papel, ou o driver do fabricante, caso utilize um papel fabricado pelo mesmo fabricante da impressora.
    O campo 4 é onde acontece o maior número de erros: é o ICC do papel utilizado na impressora que deve ser escolhido aqui. Veja que, na imagem de exemplo, aparece um perfil ICC de uma impressora laser com papel couché.
    Para entender o campo 5 (Simulate Paper Color) veja o quadro.

AdobePhotoshop
Adobe Photoshop
    No InDesign, uma opção bastante útil é Save Preset, pois permite salvar uma configuração de impressão para uso posterior, evitando que você esqueça de algum detalhe na impressão.
    Salve essa configuração após terminá-la. Essa mesma opção também está presente no Illustrator, mas, infelizmente, ela não salva as configurações escolhidas para o Gerenciamento de Cores.

InDesign
Adobe InDesign
Illustrator
Illustrator

Como visualizar o arquivo?
Como visualizar o arquivo
Opções extras nos softwares
    No Photoshop, o campo Proof Setup Preset permite escolher o que simular, normalmente a configuração do Color Settings escolhendo Working CMYK.
    Caso a opção Current Custom Setup esteja disponível, o Color Settings e o Proof Setup estarão com configurações distintas e escolha entre qual delas você irá realmente imprimir. A opção Simulate Black Ink permite maior precisão na reprodução dos tons escuros (área de sombra das imagens), portanto, deve estar ligada.
    Para o InDesign e Illustrator, a opção Preserve Color Numbers define que as cores serão enviadas para o dispositivo de saída da forma como estão escritas nos arquivos, ou seja, sem conversões.
    Ao desligar essa opção, os softwares farão as conversões necessárias para a correta impressão da simulação nos dispositivos de saída. Essa mesma opção, no Photoshop, aparece no campo 3 com o nome de “No Color Management“.

Avaliando os resultados
    Com o seu monitor calibrado e a impressão realizada em sua impressora, você terá visualmente as mesmas cores no monitor e no papel. Claro que alguns detalhes são muito importantes para o
    Gerenciamento de Cores ser bem sucedido, portanto:
    1 - Não descuide da luz ambiente da sua sala; em caso de dúvida utilize a luz do sol como referência.
    2 - Não use tinta reciclada, pois ela não possui constância de cores entre os lotes.
    3 - Caso as cabeças de impressão sejam trocadas, crie um novo perfil ICC.
    4 - Guarde uma amostra impressa de um arquivo para sua referência e o imprimia a cada semana para checar se a sua impressora continua imprimindo com o mesmo resultado, caso contrário, crie um novo ICC.

Quando simular a cor do papel?
    Em todos os softwares existe a opção de simular a cor do papel (Simulate Color Paper).
    Esta opção somente estará disponível caso você escolha usar a intenção de renderização Colorimétrica Absoluta (Absolute Colorimetric).
Quando usar?
Use esta opção quando quiser imprimir uma simulação de impressão que será feita em papéis com uma cor característica. Dois exemplos bastante comuns são: jornais e papéis reciclados. A impressão em papel branco não mostra a realidade do impresso final, e a análise da cor se torna difícil. Mesmo que a simulação da cor do papel não seja perfeita, use-a nesses casos, pois o papel muda de cor a cada lote, mas a sua percepção da cor no conjunto será muito mais real.
Quando não usar?
    Não use, ou seja, utilize a intenção de renderização como Colorimétrica Relativa (Relative Colorimetric) quando o papel do impresso final for branco ou uma variação dele.
    Da mesma forma, os lotes de papel tem “brancos” diferentes e a percepção da cor no conjunto é muito mais realista quando o seu papel não tem uma simulação da cor do papel.


Artigo publicado na revista Desktop edição 93. Autor: Marcelo Copetti.
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