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DeskTop 095 - Decidindo as cores voltar

Artigo publicado na revista Desktop edição 95. Autor: Marcelo Copetti.
O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor.
www.dtp.com.br

    O que responder quando os programas me perguntam sobre o ICC aplicado à imagem?
    Quando eles mostram uma caixa de diálogo mostrando as opções, fico sem saber que decisão tomar!
    Como esconder esta caixa, para que ela não apareça e me livre deste tormento?
    Enfim, como tomar a decisão correta?
    Com a evolução do processo gráfico e a sua digitalização, a necessidade de criação de novos recursos para controlar as cores tornou-se extremamente necessária.
    Nos tempos do fotolito, tínhamos provas analógicas, feitas diretamente do fotolito e que não eram tão fiéis quanto alguns tentam lembrar - às vezes, até com saudade.
    Outra opção: fazer o prelo de um trabalho, o que dificilmente representava a realidade de impressão. As pressões aplicadas no rolo para cada uma das cores não era homogênea na maioria dos casos, ou a pessoa que estava realizando a prova simplesmente passava o magenta duas vezes para obter um resultado mais “quente”.
    Outro ponto importante: a tinta usada era diferente da tinta usada da impressora offset, com características muito distintas.
    Diante da nova realidade, os fabricantes perceberam que era necessário criar novas ferramentas para poder gerenciar o novo processo gráfico (ver matéria “O que é o Gerenciamento de Cores?”)
e assim nasceu o ICC.

CMYK x RGB x Lab
    Quem vencerá essa batalha?
    A resposta certa? Nenhum deles! Dentro dessa sistema de gerenciamento de cores, cada um tem seu papel específico e é importante conhecer cada um deles.
    A maneira como os softwares convertem as cores é mais complexa do que antigamente com o processo analógico. Naquele tempo, existiam tabelas de valores em RGB com seus correspondentes
em CMYK, com algumas variações, UCR, GCR etc.
    Não estou desmerecendo o processo, mas apenas simplificando para facilitar o seu entendimento. Toda a tecnologia atual foi criada graças a esse conhecimento incrível de conversão de cores de algumas empresas. Principalmente aquelas que fabricavam scanners cilíndricos de altíssima qualidade.
    Então vou usar neste caso exemplos dados no segundo artigo desta coluna, no tópico “Estrutura do perfil ICC”, para explicar como a nova tecnologia manipula as cores em seus diversos formatos. Nós já sabemos que o ICC é formado por tabelas. Alguns ICCs possuem duas, outros apenas uma (os de entrada, como scanners e câmeras digitais). O fato é que, normalmente, usam-se tabelas de dois ou mais diferentes ICCs para chegar ao resultado de uma conversão.

Conversão de RGB para CMYK
    A conversão utiliza dados do Color Settings no Creative Suite da Adobe, da janela de Gerenciamento de Cores no Corel, e outros correlatos nos demais softwares.
    Na configuração, coloquei:
    O ICC Adobe (1998) no campo RGB.
    O ICC Europe ISO Coated Fogra 27 no campo CMYK.
    O Photoshop utiliza o espaço de cores Lab para fazer todas as conversões de cores pedidas pelo usuário.
RGB -> CMYK    Neste exemplo, vamos imaginar uma imagem que tenha sido gerada por uma câmera digital. O primeiro passo é fazer a conversão de RGB para Lab. O software usará a tabela A2B (do ICC Adobe 1998) que faz a conversão no sentido de RGB para Lab.
    O segundo passo é a transformação de Lab para CMYK. O software usará a tabela B2A (do ICC Europe ISO Coated Fogra27) que faz a conversão no sentido Lab para CMYK.
    Essa mecânica é repetida todas as vezes em que são necessárias conversões durante o processo, utilizando as duas tabelas quando elas são mais apropriadas. Nos próximos artigos, falaremos como elas são utilizadas dentro de um workflow.

Conversão de CMYK para CMYK
CMYK -> CMYK    Essa conversão também utiliza os dados do Color Settings no Creative Suite da Adobe, da janela de Gerenciamento de Cores do Corel, e outros correlatos nos demais softwares.
    Nestas configurações, utilizei:
    O ICC Adobe (1998) no campo RGB.
    O ICC ISO Newspaper 26v4 no campo CMYK.
    O Photoshop converterá internamente, como primeiro passo, de CMYK para Lab com o ICC embutido na imagem, e, como segundo passo, de Lab para CMYK, com o ICC do campo CMYK. Veja ilustração abaixo; veja também o quadro “Convertendo as Cores com ICC”.

Tomando decisões ao abrir arquivos
Um dos recursos mais produtivos para o Gerenciamento de Cores dentro do Creative Suite, e que se tornou o fantasma da grande maioria dos usuários, são as opções para escolher o perfil ICC ao abrir um arquivo que não tenha um perfil aplicado.
    O primeiro passo é pensar nessas opções como uma facilidade oferecida pelo software. Imagine que, ao abrir cada imagem, você tivesse que abrir o Color Settings e reconfigurá-lo! Seria muito trabalhoso, além de muito chato. Nas configurações do Color Settings, ao se definir as políticas de gerenciamento de cores, essas mensagens poderão ser suprimidas ou apresentadas.
    As opções “Ask...” aparecem quando há discrepâncias entre os perfis ICC utilizados em diferentes situações. “Ask when opening”, é uma opção presente em “Profile Mismatches” (perfis diferentes entre a imagem e a configuração atual) e “Missing Profiles” (arquivos sem perfis embutidos).
    Ao abrir um arquivo em qualquer uma das duas situações, será apresentada uma caixa de diálogo para você escolher o que fazer. “Ask when Pasting” aparecerá no caso de usar o comando Paste para inserir uma imagem dentro de outra.

Abrindo arquivos sem perfi l ICC embutido
    Ao abrir arquivos em qualquer formato, sem um perfil ICC embutido, a janela abaixo será apresentada. Basicamente, teremos duas opções: manter o arquivo como inalterado, com a primeira opção. Ou ainda embutir um perfil ICC com as duas opções seguintes, que permitem embutir um ICC no arquivo.
Janela AskO que significa manter o arquivo inalterado? - As duas opções para manter o arquivo da forma como chegou são: Leave as is (don’t color manage) e Discard the embedded profile (don’t color manage), esta segunda opção aparece ao abrir uma imagem com ICC embutido. Essas duas opções, de não usar o gerenciamento de cores, não alteram os dados do arquivo. O software então mostrará a simulação do ICC configurado no campo CMYK. Assim, teremos o softproof, ou seja, uma prova na tela de como será impresso o trabalho.
    Já ao abrir arquivos com perfis ICC embutidos, as informações apresentadas inicialmente serão: o ICC embutido / Embedded, e o ICC que está sendo usado na configuração atual do Color Settings / Working.
    Essa janela será apresentada apenas no caso de haver uma discrepância entre os ICCs embutidos e a configuração atual do Color Settings.

Usando ICCs embutidos
Janela AskO uso de ICCs embutidos é a primeira apresentada na caixa de diálogo acima, situação que causa arrepios à maioria dos usuários. Para esclarecer as dúvidas sobre essa opção, mostraremos a seguir uma imagem e alguns pontos selecionados que servirão para mostrar como as alterações de cor ocorrem.
    Observe que, nos três pontos escolhidos, criamos retângulos com apenas uma cor, permitindo uma visualização clara de suas cores. As paletas ao lado de cada cor nos mostram seus valores em dois formatos CMYK e Lab.
    Usando ICCs embutidos na imagem, não alteramos os dados no formato CMYK ou RGB. O que fazemos de fato é “ensinar” ao software como mostrar a imagem de acordo com o ICC embutido, seja esta a impressão em um minilab, ou ainda uma offset, flexografia etc.
    Experimente marcar pontos em uma imagem. Altere o Color Settings ou aplique um ICC através do comando Assign Profile. Observe que, ao usar o Undo para visualizar as duas situações, os valores mostrados em CMYK não são alterados. Isso garante a integridade do arquivo, mas não da cor.

Veja o quadro, “O que significa a cor em Lab”. Ao abrir um arquivo com a opção “Convert document’s colors to the working space”, ou seja, convertendo as cores do arquivo, todos os dados serão alterados. Isso significa que os valores em RGB ou CMYK serão convertidos para Lab, de forma a manter a cor inalterada através do ICC embutido na imagem.
    Assim, você poderá converter as cores de maneira segura e muito mais rápida do que utilizando curvas, brilho, contraste etc. A opção Convert to Profile, disponível nos softwares, funciona exatamente da mesma forma. A sua função é executar a mesma conversão após a abertura do arquivo. Veja o quadro, “O que significa a cor em Lab”.
    Na segunda imagem de exemplo você poderá verificar que são os valores Lab que são mantidos inalterados e os valores CMYK são alterados.
    É importante lembrar que, dentro do gerenciamento de cores, o objetivo primordial é manter a cor em Lab, do início ao fim do processo, convertendo-a para cada dispositivo para manter sua integridade visual.


O que significa usar o perfil embutido?
    Ao abrir um arquivo com a opção “Use the embedded profile”, ou seja, visualizar o arquivo de acordo com o ICC aplicado ao arquivo permanecendo com os dados inalterados, são três as
situações que se pode usar:
    1 - Imagine um fornecedor de imagens manipuladas. Ele fez todo o trabalho usando um perfil SWOP (padrão americano de impressão, conhecido no mundo inteiro) ao invés do Euroscale. Poderá ser muito útil você visualizar o trabalho da mesma forma, podendo assim entender o que ele desejava como resultado. Normalmente converter o arquivo nesta situação dará melhores resultados do que ignorá-lo, pois manterá o aspecto visual da sua imagem.
    2 - Usar o perfil embutido para arquivos de entrada, como scanners e câmeras digitais, pois permite aplicar a calibração do scanner, através de um perfil embutido. Assim, se mantêm as cores calibradas e o balanço de cinzas neutro.
    3 - Em jornais, a conversão de cores permite manter as cores impressas da prova de cor do cliente na impressão do jornal; claro que levando em consideração as limitações do processo de impressão em rotativa e papel jornal.
    Os resultados desses processos são muito mais precisos e mais rápidos do que a conversão de cores, trazendo maior produtividade e resultados independentes do operador.
    Conclusão: a correção através de curvas e e níveis (Levels) são coisas do passado.
    Esse é o objetivo do Lab: manter as cores iguais, em diferentes situações de impressão. Ao alterar os valores de CMYK, ele está mantendo o aspecto visual da cor, de forma independente do método de impressão, e tintas utilizadas.

O que significa a cor em Lab?
    Quando definimos uma cor em formato Lab, estamos definindo esta cor em um espaço de cores independente. A cor neste formato permite sua reprodução nos mais diversos métodos de impressão e visualização.
    O mesmo não acontece com espaços de cores como o CMYK ou RGB. Nós já vimos no artigo anterior que um mesmo valor CMYK pode ter diferentes resultados.
Imagine um azul, com C 100% e M 100%. Ao ser impresso com a tinta A, ele pode ser diferente da tinta B. Veja ilustração.
    Com isso, a mesma imagem, com os mesmos valores em CMYK, impressa com tintas diferentes, darão resultados diferentes.
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Artigo publicado na revista Desktop edição 95. Autor: Marcelo Copetti.
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