Artigo publicado na revista Desktop edição 96. Autor: Marcelo Copetti. O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor. www.dtp.com.br
Como gerar um arquivo PDF sem alterar suas cores? Sempre falam na criação de PDFs relacionando a assuntos como fontes embutidas, sub-sets, resolução de imagens etc. Mas, como configurar o Acrobat Distiller com relação às cores do arquivo que eu gerei? O PDF, hoje, está tão arraigado a nossa rotina de produção, seja na agência ou na gráfica, que não percebemos como ele é importante dentro do Gerenciamento de Cores. Afinal, ele é o principal formato para troca de arquivos hoje em dia. As decisões para gerar este arquivo influenciam de forma decisiva o resultado final. Afinal, aplicar o ICC ou não? O objetivo central deste artigo é responder a esta pergunta, usando o Acrobat Distiller 8 para gerar o PDF a partir de um arquivo PostScript. Vamos analisar esta, que é ainda a forma mais confiável de criar um arquivo PDF, recomendada pela maioria dos especialistas.
A realidade dentro da produção Hoje em dia, uma grande fatia do mercado trabalha com o gerenciamento de cores restrito à prova de cor contratual e ao soft proof (prova de cor no monitor). É claro que existem empresas que trabalham utilizando seus recursos plenamente, mas, infelizmente, são ainda uma minoria. São ilhas de qualidade e principalmente de controle. Isto exige, além do conhecimento à disposição da empresa, de se implementar o sistema. E mostra que, apesar de a tecnologia estar madura, e capaz de prover resultados consistentes, facilitar a produção e dar maior confiabilidade aos resultados, o gerenciamento de cores não é utilizado para atingir seus objetivos mais amplos. A imensa maioria do mercado ainda trabalha com o conceito convencional, de assegurar que os “dados do cliente devem ser mantidos inalterados”, criando arquivos PDF sem conversões de cores através dos ICCs ou, ainda, assinalando ICCs aos arquivos para conversão final na produção de fotolitos ou chapas.
As diferentes versões do PDF Há várias especificações de arquivos PDF. É necessário conhecêlas para identificar qual deve ser utilizada na sua produção. As especificações refletem a versão a qual pertencem. Por exemplo, a 1.3 foi lançada pela versão 4 do Acrobat. PDF 1.3 - A primeira versão que realmente começa a interessar para o gerenciamento de cores é justamente a 1.3. A partir desta especificação, é possível estabelecer uma saída confiável para o processo gráfico. Ela é utilizada como base para o PDF/X e utiliza um conjunto de informações que todos os RIPs do mercado são capazes de renderizar da mesma forma. Esta especificação mantém todos os valores em CMYK inalterados, permitindo que se transmitam os dados sem modificação. O que o cliente enviou é exatamente o que será impresso, ainda que estejamos falando tão somente de valores de retícula. Um dado pouco confiável, se pensarmos em um equipamento descalibrado para gerar fotolito ou chapa. Ou, ainda pior, o uso de tintas de linhas diferentes e, portanto, de cores de escala completamente diferentes, que também darão resultados diferentes. Leia artigo anterior sobre este aspecto. PDF/X - Este padrão foi criado para a indústria gráfica e evoluiu ao longo dos anos para se adequar às necessidades crescentes desta indústria. PDF/X-1a - O PDF/X-1a permite usar apenas o CMYK + cor spot, como espaço de cores. O espaço de cores definido como ICC Based Color (cor baseada em ICC) não é permitido nesta especificação. PDF/X-3 - A especificação já permite o uso de ICCs e a definição de espaços de cores diversos e para qualquer objeto. Este objeto passa a ter um espaço de cores chamado ICC Based Color quando tem um ICC assinalado. O uso de um ICC definido como destino, para conversões de dados, suporte a cores independentes de dispositivo (Lab) e saídas em RGB, são outras características desta especificação.
Configurando o Distiller
Ao criar um PDF usando o DIstiller, você pode escolher diversas opções. Veja a janela de configuração do Distiller na figura 1. Em todas as situações em que a opção Preserve estiver presente, os dados que o arquivo PostScript contiver serão utilizados.
Settings file - Esta configuração é a mesma utilizada pelo Photoshop, Illustrator ou InDesign, e pode ser criada a partir desses softwares. Você pode utilizar a mesma configuração usada para os seus trabalhos, garantindo assim que os PDF criados a partir de EPS ou PS terão a mesma informação de cor que você utiliza para outros trabalhos. Color Management Policies - Leave Color Unchanged (manter as cores inalteradas) - mantêm os valores inalterados, dependente do dispositivo. Esta opção permite que os dados enviados pelo seu cliente sejam preservados, evitando alterações indesejadas. Desta forma, nenhum ICC será assinalado aos objetos. Verifique o resultado mostrado dentro do Acrobat na figura 2.
 Tag Everything For Color Management (assinale tudo para gerenciamento de cores) - Assinala um ICC em todos os objetos (imagens e vetores). Os dados do arquivo permanecerão inalterados. Os mesmos valores de CMYK serão mostrados pelo arquivo, mas os objetos terão a informação de que estão com um ICC assinalados e que poderão ser usados por um RIP na próxima etapa do seu workflow. Veja o resultado na figura 3. Tag Only Images For Color Management (assinale apenas imagens para gerenciamento de cores) -Tem exatamente a mesma função que o anterior, mas aplica o ICC apenas nas imagens. Convert All Colors To sRGB (Converter todas as cores para sRGB) - Converterá todas as cores do seu arquivo PostScript para sRGB tornando a cor calibrada. Ou seja, os objetos RGB são vistos como CalRGB.
Convert All Colors To CMYK (Converter todas as cores para CMYK) - Converte todos os objetos para DeviceGray ou DeviceCMYK obedecendo as escolhas dos campos de espaços de cores. Caso você converta o mesmo arquivo com dois ICCs diferentes, seus resultados também serão diferentes. Nesta opção. o arquivo final não terá ICCs assinalados. Document Rendering intent (intenção de renderização do documento) - Define qual a intenção de renderização será assinalada ao arquivo. Vale lembrar que a intenção de renderização pode ser definida ou altera em etapas posteriores do processo, como, por exemplo, no RIP, para prova de cor ou no RIP do CtP. Working Spaces - Os espaços de trabalhos definem quais os perfis ICC serão utilizados para conversões de cores e transformação delas em cores calibradas. Se forem escolhidos “None” (nenhum) nas três opções, não ocorrerão transformações de cores e, portanto, será o mesmo que escolher Leave Color Unchanged no campo Colo Management Policies. Para adicionar ICCs a estas listas, basta copiar os seus arquivos para uma destas pastas: Windows - C:WINDOWSsystem32spooldriverscolor Mac - Library/ColorSync/Profiles Preserve CMYK Values For Calibrated CMYK Color Spaces Esta opção estará ligada apenas quando você escolhe Convert All Colors To CMYK. Quando esta opção está ligada, os valores reais de cada espaço de cores são utilizados, deixando de lado os dados definidos como independentes de dispositivo. Então, é feita a conversão para CMYK. Ao desligar, as cores definidas como independentes de dispositivo (cores calibradas como CalGray, CalRGB, Calibrated) são convertidas para CMYK usando os padrões definidos nos espaços de cores. Device Dependent Data - Se você quer entender melhor o que é o um dado dependente ou independente de dispositivo, leia o artigo anterior, “Decidindo as cores”. A opção Preserve Under Color Removal And Black Generation usa a informação de geração de preto (reduzir a quantidade da cores CMY e para criar o preto, definindo o contraste e economizando tinta), contida no arquivo PostScript.
When Transfer Functions Are Found (Quando funções de transferências são encontradas) - Esta é uma função obsoleta. Foi usada no início da vida do PostScript para calibrar dispositivos ou corrigir problemas como ganho de ponto excessivo. Também pode ser usada para forçar um resultado desejado, alterando o aspecto diferente propositalmente. As três opções são muito simples: “Remove” não aplica a curva e a remove do arquivo; “Preserve” mantém as informações no arquivo PDF para serem usadas pelo dispositivo de saída, seja ele um software RIP ou o próprio dispositivo “Apply” aplica a curva a todo o conteúdo, alterando as cores e apagando a curva do arquivo final; e “Preserve Halftone Information (preservar informações de retícula)” mantém a informação de retícula no arquivo, permitindo você especificar ao dispositivo de saída um determinado formato de ponto ou lineatura. Você pode configurar o seu RIP para sempre ignorar esta informação, mesmo que ela esteja inserida no arquivo.
Quando usar ou não usar o PDF/ X-1a ou o PDF/X-3 A utilização do PDF/X-1a, garante que os dados em CMYK não serão alterados por um ICC. Então, se você pretende utilizar um workflow CMYK, use o PDF/X-1a, pois ele atenderá completamente as suas necessidades de cores. Ideal para ser usado em um ambiente em que o Gerenciamento de Cores, atua sem a conversão de cores. O PDF/X-3 permite que qualquer objeto, seja imagem ou vetor, seja assinalado um ICC. Com estes vários espaços de cores, é possível criar confusões quando não se deseja utilizar o gerenciamento de cores para fazer conversões. Portanto, se não pretende usar os ICCs para conversões, não use este formato, já que ele causará mais confusão do que solução. Mas, atenção, o padrão PDF/X não possui especificações para resolução.
Como nasceu o PDF/X e para quê? O PDF/X nasceu da necessidade de tornar o PDF confiável. Ele é utilizado mundialmente para os mais diversos fins. Alguns setores são tão grandes para o PDF que a indústria gráfica é uma pequena parte do mercado. O setor corporativo trabalha com quantidades de licenças de Acrobat full tão grandes que, para nós, parecem inimagináveis. Para esses casos, a Adobe tem licenciamentos de 5.000 unidades. Não parece loucura? Qual a quantidade de licenças de Acrobat full que uma gráfica compra? Para atender a esse mercado, as especificações do Acrobat adicionaram recursos variados como: vídeos, sons, animações, 3D etc. Uma dessas mudanças foi justamente a utilização de vários espaços de cores, Lab, RGB, CMYK, Cor Indexada, entre outros. Com tantas especificações, se tornou natural enviar diferentes arquivos PDF para cada propósito: Web, impressão digital, escritório, impressão gráfica etc. Então, duas entidades iniciaram os trabalhos para padronizar e arregimentar outras entidades do mercado para usarem um novo padrão. O padrão PDF/X foi assim chamado por usar a letra “X”, da palavra Exchange. O primeiro passo era permitir a troca “cega” entre os parceiros, ou seja, qualquer um poderia receber este tipo de arquivo e imprimi-lo com a segurança do resultado a ser obtido. As primeiras regras estabelecidas foram: 1 - Apenas o formato CMYK e cores especiais são aceitos, enquanto que objetos RGB ou com ICCs não são permitidos; 2 - Todas as fontes devem ser embutidas no arquivo e o software, ao renderizar, deve utilizar a fonte do arquivo, mesmo que a fonte esteja instalada no computador; 3 - Não permite que haja referências a arquivos externos; 4 - Utiliza a definição de uma intenção de renderização apenas com o propósito de verificação, garantindo que o arquivo foi criado visando uma saída definida, e, se não coincidir, deve-se rever o processo. Desta forma a especificação PDF/X nasceu com muitas vantagens, entre elas: 1 - Como ela é apenas um sub-conjunto da especificação geral, qualquer software que seja capaz de ler ou mostrar no monitor um arquivo PDF, poderá usar o padrão PDF/X. 2 - A segurança de que o arquivo será renderizado da mesma forma por qualquer workflow que o interprete. Desde então, nasceram novas versões do PDF/X, como PDF/X-1a e PDF/X-3, para atender a novas necessidades. Os ICCs foram colocados no PDF/X-3 para permitir que os workflows que trabalham com gerenciamento das cores pudessem trabalhar dentro de um padrão gráfico previsível.
Artigo publicado na revista Desktop edição 96. Autor: Marcelo Copetti. O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor. www.dtp.com.br |