Artigo publicado na revista Desktop edição 97. Autor: Marcelo Copetti. O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor. www.dtp.com.br
Um workflow seguro A grande maioria dos usuários, principalmente aqueles ligados a setores profissionais da Indústria Gráfica, procuram por uma maneira segura de realizar seus trabalhos. Ou seja, na maior parte das empresas, o que se busca, na verdade, são procedimentos para uma saída segura, e formas para que se possam ter as responsabilidades bem definidas para a impressão do trabalho. Como “saída segura”, normalmente, entende-se que os dados do cliente devem ser respeitados e mantidos inalterados. Não apenas conteúdo, mas também as imagens e seus valores em CMYK. Quem contrata o serviço de impressão normalmente diz que a impressão está errada e que ele escolheu as cores de acordo com uma tabela de cores. Essas tabelas de cores, na maioria das vezes, não mostram os resultados de impressão dos fornecedores, e, sim, de uma realidade de impressão bastante específica. Essa opção define que a decisão da impressão final será do fornecedor. Também é a opção que mais gera conflitos entre clientes e fornecedores, pois não há um controle de cor estabelecido. Tudo isso para dizer que não se deve entender como “workflow seguro” um workflow a prova de falhas, mas sim onde todos os dados do arquivo não serão alterados.
Opções para exportação Os dois softwares da Adobe (InDesign e Illustrator) têm, basicamente, duas maneiras de exportar arquivos PDF quando o assunto é cores. A primeira delas cuida de manter os dados do arquivo, ou seja, não os altera. A segunda é gerar a conversão de cores através de um determinado ICC.

PDF do InDesign e do Illustrator Os dois softwares possuem as mesmas opções para exportar (In- Design) e para salvar (Illustrator).
Workflow seguro - A opção de manter os dados inalterados que atende ao workflow seguro que muitas empresas adotam no mercado. Abaixo, mostramos diversos cenários para exportação e salvamento de arquivos PDF. Eles se referem ao campo Colour e suas respectivas opções.
Primeiro cenário: As escolhas mais frequentes são: “No Colour Conversion” (sem conversão de cores) e “Don’t Include Profiles” (não incluir os perfis). Essas escolhas induzem o InDesign a manter todas as informações dos arquivos que ele usa. Arquivos importados, mesmo com ICCs embutidos, não serão usados para serem inseridos no PDF; eles serão usados apenas para visualização em tela, ou seja, soft proof no InDesign ou Illustrator. Já os dados em CMYK não serão convertidos ou alterados de nenhuma forma.
Segundo cenário: Com a escolha “No Colour Conversion” não existe conversão de cores. Isso significa que os seus dados ficarão inalterados no momento da criação do PDF. A opção “Include All Profiles” faz com que o InDesign incorpore ao PDF todos os ICCs. Para arquivos importados, os ICCs embutidos serão inseridos no PDF e, para dados em CMYK, não serão convertidos ou alterados de nenhuma forma. Serão alterados apenas se a gráfica escolher usar os perfis embutidos nos arquivos.
Terceiro cenário: Com a escolha “Convert to Destination”, a conversão de cores será feita com base no ICC descrito no campo “Destination”. Os seus dados serão alterados no momento da criação do PDF.No terceiro campo, escolha a opção “Include Destination Profile”. Como essa opção deve ser usada apenas para o caso do seu fornecedor (gráfica ou qualquer outra forma de impressão final) trabalhar com Gerenciamento de Cores (veja próximo tópico Saída do arquivo PDF), então ter ICC embutido é uma informação muito importante para ele tomar as decisões. Nos arquivos importados, as cores serão convertidas apenas para os arquivos com ICC diferentes da sua configuração. Imagens em CMYK serão convertidas para o espaço de cores do ICC descrito na configuração do Colour Settings do aplicativo. Isso vale para os arquivos importados e para os elementos criados dentro do aplicativo. Quarto cenário: Com a escolha “Convert to Destination - Preserver numbers” não haverá conversão de cores, apenas o ICC descrito no campo “Destination” será embutido no PDF. Como essa opção deve ser usada apenas para o caso da gráfica trabalhar com Gerenciamento de Cores, o ICC continua sendo uma informação muito importante para tomar a decisão correta. Nos arquivos importados as cores não serão convertidas e, em imagens CMYK, apenas o ICC (Destination) será embutido no PDF - sem que haja qualquer conversão de tons.
PDF-X na saída de arquivos PDF A geração de arquivos PDF com o padrão PDF/X segue a lógica da especificação. Isso significa que: nunca, os dados em CMYK são alterados; e apenas os perfis ICC são embutidos. Esse padrão define a criação de arquivos com conteúdos que possam ser rasterizados pelos RIPs sem diferenças. O mesmo arquivo PDF/X rasterizado pelo RIP do fabricante A deve ter o mesmo resultado do fabricante B ou C ou D... Com essa lógica, em qualquer das opções escolhidas poderão ser observadas a preservação dos números, a não conversão ou a não inclusão de perfis. Por fim, usar o PDF/X o coloca dentro do Workflow Seguro. Os campos na parte inferior da janela são:
Output Intent Profile Name: escolha do ICC para ser usado para conversões de cores do seu PDF. Lembre-se de que a gráfica, pode, simplesmente, ignorá-lo caso você queira.
As diferenças entre PDF´s
 A primeira imagem (01-Fogra Sem Conversão.pdf) não sofreu conversão, nem tem ICC embutido.
 A segunda não sofreu conversão, mas teve ICC embutido. O ICC foi usado no final para conversão de cores.
 A terceira sofreu conversão. As três imagens estão disponíveis no site da Desktop (www.dtp.com.br) para que possam ser baixadas e analisadas. As informações adicionais sobre como visualizá-las ajudarão você a entender as diferenças e os resultados.
Os outros três campos são apenas para inclusão de textos explicativos - veja a figura 2. Caso você escolha um perfil, como o ISO Coated FOGRA 27, você verá que o próprio aplicativo já colocará informações nos respectivos campos.
Saída do arquivo PDF
 Figura 2 - Opção PDF/X-1a para arquivos PDF
Para a saída dos seus arquivos, continua valendo a máxima de que a comunicação com o fornecedor é a melhor solução. Converse com o seu fornecedor e questione sobre alguns pontos bastante específicos, e crie seus arquivos com as respostas: Pergunta: Eles trabalham com Gerenciamento de Cores? Se a resposta for negativa: Use o workflow seguro, sem conversões. Não há outro caminho. Não há como prever os resultados neste caminho. Veja, nas matérias anteriores, como as cores podem ser diferentes mesmo com valores CMYK iguais. Se a resposta for positiva: Continue com as perguntas.
Pergunta: Em que etapas da produção? Monitores e prova contratual? Resposta: Se usam apenas em monitores e provas contratuais, continue usando o workflow seguro. Faça uma impressão de prova contratual com o fornecedor para poder analisar os resultados. Provas analógicas (Cromalin, MatchPrint, PressMatch etc.) e prelo são pouco confiáveis. Suas cores são diferentes dos padrões usados na impressão final.
Pergunta: Usam o Gerenciamento de Cores na impressão (offset, flexo, jornal etc.) para ter controle das características de impressão, Densidades, ganho de ponto ...? Resposta: Com esse fornecedor, você poderá ter resultados muito bons. Converse com ele sobre a aplicação de perfis ICCs em arquivos a serem impressos. Ele pode ainda simplesmente desconsiderar os ICCs no momento da rasterização dos arquivos pelo RIP da Imagesetter ou CtP. Continue solicitando uma prova contratual para ter certeza dos resultados.
Pergunta: Usam o Gerenciamento de Cores com a aplicação de ICCs embutidos nos arquivos? Resposta: Com esse fornecedor, você poderá ter os melhores resultados. Converse com ele sobre a aplicação de perfis ICCs em arquivos a serem impressos. Neste caso, a prova contratual pode ser feita em sua empresa.
Pergunta: Quais os padrões de tolerância utilizados? Qual a frequência das calibrações nas diversas etapas do processo? Possuem os equipamentos para calibrar monitores, impressoras, CtP, impressão final? Resposta: Esse conjunto de respostas definirá a confiança que você pode depositar em seu fornecedor. Um fornecedor que não mantém seu sistema calibrado, mesmo após a implementação de um Gerenciamento de Cores, pode ter resultados tão imprevisíveis quanto os de um fornecedor que não tenha Gerenciamento de Cores algum.
Artigo publicado na revista Desktop edição 97. Autor: Marcelo Copetti. O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor. www.dtp.com.br |