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Desktop 098 - Soft proof e o mercado gráfico voltar

Artigo publicado na revista Desktop edição 98. Autor: Marcelo Copetti.
O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor.
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Tecnologia ganhou em confiabilidade e, com base em resultados positivos, vem crescendo no mercado gráfico.


    O uso do soft proof vem crescendo no mercado gráfico em uma velocidade incrível. A capacidade de reproduzir o resultado impresso em uma tela de monitor tem feito com que empresas economizem no processo de produção de duas maneiras.
    A primeira, evitando a impressão de provas contratuais para serem usadas como referência pelo impressor para atingir o resultado previsto. A segunda é a redução de erros de impressão das cores. Mesmo os trabalhos que não têm prova de cor, seja por não constar do orçamento, ou porque o cliente não a enviou, terão um acompanhamento correto pelo impressor, que passa a ter uma referência segura para guiar suas decisões.

Conceito de soft proof
    O soft proof é a simulação em tela do resultado de uma saída.
    A saída pode ser tanto uma impressão offset em máquina plana (couché) ou rotativa (jornal ou LWC), como pode ser uma impressão em lona para grandes formatos, gráficas rápidas com suas impressoras digitais etc.
    Com o soft proof, é possível tornar o monitor uma ferramenta poderosa para o controle de produção de uma empresa. Este cenário, há algum tempo atrás, era difícil de ser imaginado.

Onde pode ser aplicado
    O soft proof pode ser aplicado em diferentes fases da produção.
    Ele é útil na criação, no tratamento de imagens e na impressão.
    Agências de publicidade podem tirar proveito desta solução para simular o resultado de uma mesma peça publicitária em diversas mídias. Com essa simulação, é possível detectar as limitações de cada mídia e trabalhar para aproximar seus resultados.
Monitores profissionais
Monitor Eizo CD221 a esquerda e LaCie 526 a direita. Monitores que representam quase a totalidade das cores do Adobe RGB e com uniformidade de cor profissional.

    Nas gráficas, a pré-impressão e a impressão tiram proveito da solução. O uso de monitores profissionais pode dar ótimos resultados, gerando economia e flexibilidade de trabalho. Jornais e gráficas têm usado cada vez mais o soft proof para acelerar a produção.
    Existem soluções de diversos níveis no mercado. A mais simples e econômicas usam o Acrobat para simular o resultado de impressão. Ou ainda sistemas dedicados com softwares específicos para fazer a simulação para garantir maior precisão.

Um monitor LCD
    A tecnologia LCD vem sendo aprimorada ano após ano. No início era fácil dizer que o CRT oferecia melhores resultados do que o LCD, mas, após alguns anos, o LCD atingiu resultados profissionais - e o CRT começou a ser abandonado, devido ao custo acessível do LCD.
    Listamos algumas características que devem ser observadas na compra de um monitor LCD.

Uniformidade de cores na tela -
Talvez esta seja a característica mais difícil de determinar no momento da compra do monitor LCD.
    Para determinar que as cores sejam vistas na tela com maior precisão, o ângulo de visão especificado pelo monitor deve ser de no mínimo 160 graus. Isto evita que as pessoas ao lado, ou, ainda mesmo, você, ao olhar o monitor lateralmente, note uma mudança na cor. Essa característica pode ser vista nas especificações.
    Outra característica que não pode ser vista nas especificações é a uniformidade de cores na vertical. Experimente criar três retângulos iguais, com 50% de magenta, em qualquer programa, como mostrado na figura 1. Observe que eles serão mais escuros no topo do monitor e mais claros na base, ou o inverso. Caso essa diferença não exista, parabéns, você tem um monitor LCD de boa qualidade. Para conhecer os monitores profissionais e entender a diferença para os monitores de boa qualidade, veja o quadro “LCDs profissionais“
Uniformidade de cor
Figura 1 - Verifique se as barras aparecem iguais no seu monitor

Requisitos mínimos
Para se atingir resultados confiáveis, é necessário cumprir requisitos mínimos.
Escolhendo o monitor - Um monitor profissional é indispensável. Para entender como escolher um monitor profissional, veja o quadro “LCDs profissionais”.
Monitores Apple
Monitores Apple. A esquerda o Apple Cinema Display que saiu de linha. A direita o monitor LED Cinema Display que tem tecnologia TFT e não tem uniformidade de cor na tela.

Formato da tela e Resolução - O formato adequado de um monitor permitirá que a produção não fique comprometida pelo tamanho do seu monitor. Monitores Wide Screen facilitam a colocação de duas páginas, lado a lado. Na produção, isso é valioso e justifica o investimento em um monitor maior. Para jornais, a recomendação é o uso de monitores que possam deixar a tela na vertical, já que o formato da sua impressão é semelhante. Uma resolução adequada permite que o conteúdo das páginas e ferramentas dos softwares possam ser colocados na tela sem prejudicar a área útil de visualização do usuário. Procure opções com resoluções iguais ou maiores a 1920 x 1200.

Calibração - Com esse procedimento feito regularmente, é possível obter a estabilidade da visualização das cores no monitor.
    Existem duas possibilidades de calibração de monitores: usando os calibradores de monitor, que são os colorímetros, construídos com filtros que fazem leituras muito semelhantes ao RGB. Eles são eficientes na calibração de monitores CRT e LCD com resultados muito bons.
    Mas quando os resultados ainda não são suficientes, é preciso utilizar uma solução com espectrofotômetro para a calibração dos monitores. Certos fabricantes aconselham utilizá-los para obter os melhores resultados. Diferentemente dos colorímetros, o espectrofotômetro faz a leitura das cores com precisão muito superior.
    Através da curva espectral das cores, e sua conversão em Lab, o espectrofotômetro é capaz de fornecer uma informação muito mais precisa ao software para fazer sua calibração.

Validando e atualizando a calibração
    Usando o Delta E, é possível validar os resultados de uma calibração. Como o Delta E é uma referência criada para definir a diferença entre duas cores, você pode usar uma ferramenta como o Monitor Validator da X-Rite (encontrado no menu Help do software EyeOne Match), que é mostrada na figura 2.
    Com essa ferramenta, é possível fazer a leitura de uma seqüência de cores e fazer a comparação entre os valores medidos e os valores esperados, que são organizados em uma tabela. O valor mostrado como média das diferenças nas medições (Average) dá uma idéia da precisão que o monitor alcança depois de calibrado.
    Os monitores profissionais conseguem atingir médias inferiores a 1.0, como mostrado na figura 2 no ponto 1. Os monitores semiprofissionais conseguem valores maiores, como mostrado no ponto 2. Diferenças maiores, como o ponto 3, invalidam o monitor para análise de cores.
    Com a mesma ferramenta para validação da calibração, podemos definir o tempo máximo que uma calibração pode ser usada em determinado monitor. A cada nova validação, um ponto é colocado no gráfico mostrado na figura 2, assim, ao repetir esse processo diariamente, você poderá perceber quando o seu monitor terá um desvio da sua calibração, como pode mostrar o ponto 3. Desta forma, estará determinado o momento de uma nova calibração.
    Esse período varia de monitor para monitor. Sendo que equipamentos mais velhos necessitam de calibrações mais freqüentes, enquanto os mais novos podem mantê-la por mais tempo.
    Em ambientes em que os resultados são importantes e define-se a calibração dos monitores como ponto crítico do seu fluxo de trabalho, é recomendável a calibração semanal, garantindo assim que não ocorrerão falhas.
Validação do monitor
Figura 2 - Validação dos resultados dos monitores

Configurando o Acrobat
    O Acrobat pode ser configurado para simular a impressão de duasformas.
Preferências - A primeira, e mais simples, é a configuração das preferências do aplicativo, como mostrado na figura 3. Ao escolher o ICC no campo CMYK, o Acrobat irá simular em seu monitor a sua impressão. Esta opção é a mais simples de usar, pois sua configuração é simples, mas deve ser usada apenas para simulações de impressões em papéis brancos, pois não simula a cor do papel.
    A opção de fazer a compensação do ponto preto (Use black point compensation) é muito importante, pois ela reproduz em tela o comportamento da cor preta na sua saída, garantia de maior fidelidade no soft proof.
Preferências Acrobat
Figura 3 - Preferências do Acrobat

Output Preview -
Outra opção que o Acrobat oferece é o Output Preview (menu Tools - Print Production). Com ele, é possível escolher o ICC a ser simulado, além de simular o efeito da tinta preta (Simulate Ink Black). O branco do papel (Simulate Paper White) pode ser simulado quando esta opção está ligada. Jornais ou gráficas que utilizam papéis coloridos ou reciclados têm nesta ferramenta uma grande aliada, pois a visualização do trabalho fica muito mais real, sem o contraste que estamos acostumados a enxergar como papel branco.
Output Preview Acrobat
Figura 4 - Print Production/Output Preview

LCDs profissionais
Os monitores profissionais têm características muito bem definidas e que são importantes de serem reconhecidas.

Conexão
A conexão do monitor com a placa de vídeo deve ser DVI, assegurando maior qualidade da informação enviada ao monitor.
Veja também nova matéria sobre ISO 12.647- Parte 1
Gamut de cor
Gamut de cor
    Os monitores profissionais são capazes de mostrar uma quantidade de cores muito maior que os monitores comuns. Na figura 4 está uma comparação entre o ICC Adobe RGB (o maior) e o perfil ICC de um monitor LCD normal (o menor).
    O fabricante dos monitores Eizo e LaCie afirmam que seus monitores são capazes de reproduzir o espaço de cores Adobe RGB quase que por completo, trazendo a garantia de melhor simulação possível das cores.


Uniformidade de cor
    Características construtivas do LCD levam a variações de cor ao longo da tela. É possível identificar estas variações ao visualizar o seu monitor com fundo branco ou ainda um cinza.
    Estas variações são geradas por uma série de fatores, desde lâmpadas internas até variação de espessura da célula de cristal líquido.

Delta E
    A precisão desses monitores é sempre muito alta. A variação de cores medida por ferramentas como o Monitor Validator deve ser abaixo de 1 Delta E. Ver figura 2.

Certificação
    A certificação de monitores para soft proof mostra a alta qualidade atingida pela tecnologia LCD.
    Dois monitores disponíveis no mercado brasileiro tem a certificação SWOP para soft proof (Eizo e LaCie).

Marcas disponíveis
    No mercado brasileiro existem duas opções de fabricantes de monitores profissionais, a LaCie e a Eizo. A Apple possuia a linha Apple Cinema HD Display que foi descontinuada.
    Os outros monitores (LaCie e Eizo) são aceitos por vários fabricantes de soluções para soft proof e provas remotas.
    A Eizo possui a linha Color Edge, com vários modelos. Ela é reconhecida hoje como a melhor solução de monitores profissionais. Sua qualidade e controle de produção está acima que qualquer outra marca de monitores.
    A LaCie entrou no mercado a alguns anos para concorrer com a Eizo em qualidade. Hoje seus monitores possuem uma precisão comparável aos Eizo, mas com um custo benefício melhor.
    Além da certificação SWOP e da recomendação dos fabricantes de soluções para Soft proof e provas remotas, pesquisas têm trazido melhorias contínuas. A uniformidade de cor controlada ao longo da tela, reduzindo as diferenças de cores a níveis baixíssimos, nunca antes conseguidos pela indústria de fabricação de LCD. Outro diferencial destes monitores é o software para calibração próprio, que além de calibrar o monitor, permite fazer ajustes finos nas cores Cyan, Magenta, Amarelo, Vermelho, Verde e Azul, balanço de branco, brilho, níveis de preto. Com todo este poder de fogo, o software realmente dá ao usuário o poder de atingir o resultado desejado.
    As duas empresas ainda sugerem que para atingir o máximo de qualidade com seus monitores, a calibração seja feita através de espectrofotômetros.


Artigo publicado na revista Desktop edição 98. Autor: Marcelo Copetti.
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