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1.4 Os quatro Cs do Gerenciamento de Cores voltar


Quando falamos em gerenciar cores, logo nos passa pela cabeça a
necessidade de criar perfis ICC. No entanto, esquecemos que para a
indústria gráfica, imagem digital, fotografia, sinalização etc.,
gerenciar cores é muito mais do que isso. Os procedimentos que
descrevem o gerenciamento de cores podem ser descritos por 4Cs:
Calibração, Consistência, Caracterização e Conversão.



A calibração se caracteriza por tornar os periféricos
densitometricamente capazes de reproduzir cor sob uma condição
balanceada. A calibração densitométrica não pode se resumir apenas na
definição das densidades máximas de uma região de 100%, mas deve também
garantir a reprodução linear em áreas de baixas, médias e altas luzes.
Se somente as densidades máximas estiverem ajustadas, a reprodução dos
meios tons e mínimas poderão ficar comprometidas.



No caso de monitores, a calibração garantirá um perfeito equilíbrio
cromático entre os canais RGB, bem como a especificação e eventual
ajuste do ponto de branco do monitor. Em uma câmera fotográfica
digital, a calibração dos canais de RGB e ponto de branco é de igual
modo importante.



Para que o processo de gerenciamento de cores se torne uma realidade, é
preciso que o processo tenha consistência, isso é, precisamos garantir
que os periféricos ou impressoras mantenham a qualidade de reprodução
ou captura com a troca de insumos, substratos de impressão, temperatura
ambiente e iluminação, entre outros fatores. Essa garantia tornará o
fluxo de trabalho, digital ou analógico, em um sistema previsível. A
consistência garantirá ao processo menor possibilidade de erros e
consequentemente menor re-trabalho.



A caracterização dos periféricos é utilizada para descobrir como este
periférico reproduz cor por meio da impressão ou digitalização de
alguns targets de caracterização. A característica de reprodução de cor
de um periférico pode ser comparada a uma impressão digital humana.
Cada pessoa apresenta uma digital diferente e pode ser identificada por
essa digital. Da mesma maneira, os periféricos precisam ser
reconhecidos pela maneira como interpretam os sinais digitais que
chegam até eles e assim os transformam em cor, como vimos no primeiro
artigo da série.



Para que a caracterização funcione, precisamos ter certeza de que o
periférico foi devidamente calibrado, linearizado e apresenta
consistência de reprodução. Para conhecer os valores colorimétricos,
devemos fazer uso de um espaço de cores independente chamado Lab,
conforme falamos no segundo artigo, e padronizar um iluminante de
medição, pois os valores de Lab mudam conforme o iluminante utilizado
(artigo 3) .



O processo de conversão de espaços de cor garante que as cores do
arquivo original serão mantidas no periférico de saída, desde que ele
tenha sido devidamente caracterizado, linearizado e apresente
consistência. Cada pixel da imagem será avaliado pelo tradutor Lab, que
encontrará no ICC do periférico o valor de RGB ou CMYK equivalente para
conferir resultados semelhantes.



Vale a pena ressaltar que o processo de conversão sempre procurará
manter intacto o atritubuto mais importante para a formação da cor, que
é o tom, e promoverá, se necessário, a compressão da saturação e
eventual mudança na luminosidade da cor. O tom é o atributo da cor mais
sensível ao observador e será especialmente preservado no processo de
conversão.



As conversões poderão ser feitas em três metodologias, chamadas também
de Rendering Intents. São elas: Perceptual ou Fotográfico,
Colorimétrico e Saturado.



Vamos pensar agora em um sistema de conversão onde temos apenas seis
pixels para facilitar o entendimento. A figura 1 nos mostra dois
espaços de cor. RGB e CMYK. Os pixels 4,5 e 5 são cores fora do gamut
CMYK e as cores 1, 2 e 3 são cores dentro do gamut CMYK.



Método de Conversão Saturado



Este método tem como objetivo principal manter a máxima saturação
possível para os pontos que já estão dentro do espaço destino e também
para os pontos que estão fora. Observe na figura 2 que os pixels 4, 5 e
6 foram comprimidos para o ponto de máxima saturação dentro do espaço
menor (destino). Os pixels 1, 2 e 3 que já estavam dentro do espaço
destino (menor), mas também sofreram aumento de saturação, de forma a
conseguir a máxima saturação possível para eles. Este método é o menos
utilizado, pois deixa todas as cores mais saturadas na conversão.



Método de Conversão Perceptual ou Fotográfico



Quando fazemos a conversão de cores pelo método Perceptual ou
Fotográfico, os pixels 4, 5 e 6, que estavam originalmente fora do
espaço CMYK, serão comprimidos proporcionalmente para dentro do espaço,
mantendo-se o tom da cor (figura 3). Os pixels 1, 2 e 3, que já estavam
dentro do espaço de cores RGB, serão também comprimidos
proporcionalmente. Com a compressão dos pixels que estavam fora do
espaço CMYK, e também dos pixels que estavam dentro do espaço, o
balanceamento cromático será mantido, o que visualmente se torna mais
agradável.





Método de Conversão Colorimétrico

Este método pode ser dividido em dois métodos. Relativo colorimétrico e Absoluto colorimétrico (figura 4).





Quando usamos o método colorimétrico, todas as cores que já estão
dentro do gamut destino (1, 2 e 3) permanecem intactas, isto é, não
sofrem nenhum tipo de compressão, apenas são ajustadas para melhor
acuracidade de cor. Somente as cores que estão fora do gamut serão
comprimidas e cada pixel será modificado individualmente, muito
semelhante ao que acontece no processo de conversão Saturado.

Esta desproporcionalidade de ajuste de cor provoca uma alteração muito
marcante quando convertemos imagens provenientes de diferentes espaços
de cor, como, por exemplo, converter de RGB para CMYK. Portanto podemos
dizer que este tipo de conversão funciona melhor para conversões de
mesmo espaço e que possuem tamanhos muito semelhantes. Um dos problemas
mais comuns das conversões entre espaços de tamanho muito diferente é
chamado no mercado de “solarização”.

Colorimétrico Relativo ou Absoluto?

Se você optar pelo uso do sistema de conversão colorimétrico, você terá
que optar pela escolha do método absoluto ou relativo. Para
desmistificarmos isto de uma vez por todas, podemos dizer que estes
dois métodos tratam as cores da mesma maneira e somente diferem com
relação ao ponto de branco.

Quando usamos o método relativo colorimétrico, o ponto de branco do
espaço fonte será trocado para o ponto de branco do papel do perfil
destino. Quando utilizamos o método absoluto colorimétrico, o ponto de
branco utilizado para as conversões será o ponto de branco do perfil
fonte e não se alterará no processo.
 

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