Quando falamos em gerenciar cores, logo nos passa pela cabeça a necessidade de criar perfis ICC. No entanto, esquecemos que para a indústria gráfica, imagem digital, fotografia, sinalização etc., gerenciar cores é muito mais do que isso. Os procedimentos que descrevem o gerenciamento de cores podem ser descritos por 4Cs: Calibração, Consistência, Caracterização e Conversão.
A calibração se caracteriza por tornar os periféricos densitometricamente capazes de reproduzir cor sob uma condição balanceada. A calibração densitométrica não pode se resumir apenas na definição das densidades máximas de uma região de 100%, mas deve também garantir a reprodução linear em áreas de baixas, médias e altas luzes. Se somente as densidades máximas estiverem ajustadas, a reprodução dos meios tons e mínimas poderão ficar comprometidas.
No caso de monitores, a calibração garantirá um perfeito equilíbrio cromático entre os canais RGB, bem como a especificação e eventual ajuste do ponto de branco do monitor. Em uma câmera fotográfica digital, a calibração dos canais de RGB e ponto de branco é de igual modo importante.
Para que o processo de gerenciamento de cores se torne uma realidade, é preciso que o processo tenha consistência, isso é, precisamos garantir que os periféricos ou impressoras mantenham a qualidade de reprodução ou captura com a troca de insumos, substratos de impressão, temperatura ambiente e iluminação, entre outros fatores. Essa garantia tornará o fluxo de trabalho, digital ou analógico, em um sistema previsível. A consistência garantirá ao processo menor possibilidade de erros e consequentemente menor re-trabalho.
A caracterização dos periféricos é utilizada para descobrir como este periférico reproduz cor por meio da impressão ou digitalização de alguns targets de caracterização. A característica de reprodução de cor de um periférico pode ser comparada a uma impressão digital humana. Cada pessoa apresenta uma digital diferente e pode ser identificada por essa digital. Da mesma maneira, os periféricos precisam ser reconhecidos pela maneira como interpretam os sinais digitais que chegam até eles e assim os transformam em cor, como vimos no primeiro artigo da série.
Para que a caracterização funcione, precisamos ter certeza de que o periférico foi devidamente calibrado, linearizado e apresenta consistência de reprodução. Para conhecer os valores colorimétricos, devemos fazer uso de um espaço de cores independente chamado Lab, conforme falamos no segundo artigo, e padronizar um iluminante de medição, pois os valores de Lab mudam conforme o iluminante utilizado (artigo 3) .
O processo de conversão de espaços de cor garante que as cores do arquivo original serão mantidas no periférico de saída, desde que ele tenha sido devidamente caracterizado, linearizado e apresente consistência. Cada pixel da imagem será avaliado pelo tradutor Lab, que encontrará no ICC do periférico o valor de RGB ou CMYK equivalente para conferir resultados semelhantes.
Vale a pena ressaltar que o processo de conversão sempre procurará manter intacto o atritubuto mais importante para a formação da cor, que é o tom, e promoverá, se necessário, a compressão da saturação e eventual mudança na luminosidade da cor. O tom é o atributo da cor mais sensível ao observador e será especialmente preservado no processo de conversão.
As conversões poderão ser feitas em três metodologias, chamadas também de Rendering Intents. São elas: Perceptual ou Fotográfico, Colorimétrico e Saturado.
Vamos pensar agora em um sistema de conversão onde temos apenas seis pixels para facilitar o entendimento. A figura 1 nos mostra dois espaços de cor. RGB e CMYK. Os pixels 4,5 e 5 são cores fora do gamut CMYK e as cores 1, 2 e 3 são cores dentro do gamut CMYK.
Método de Conversão Saturado
Este método tem como objetivo principal manter a máxima saturação possível para os pontos que já estão dentro do espaço destino e também para os pontos que estão fora. Observe na figura 2 que os pixels 4, 5 e 6 foram comprimidos para o ponto de máxima saturação dentro do espaço menor (destino). Os pixels 1, 2 e 3 que já estavam dentro do espaço destino (menor), mas também sofreram aumento de saturação, de forma a conseguir a máxima saturação possível para eles. Este método é o menos utilizado, pois deixa todas as cores mais saturadas na conversão.
Método de Conversão Perceptual ou Fotográfico
Quando fazemos a conversão de cores pelo método Perceptual ou Fotográfico, os pixels 4, 5 e 6, que estavam originalmente fora do espaço CMYK, serão comprimidos proporcionalmente para dentro do espaço, mantendo-se o tom da cor (figura 3). Os pixels 1, 2 e 3, que já estavam dentro do espaço de cores RGB, serão também comprimidos proporcionalmente. Com a compressão dos pixels que estavam fora do espaço CMYK, e também dos pixels que estavam dentro do espaço, o balanceamento cromático será mantido, o que visualmente se torna mais agradável.
Método de Conversão Colorimétrico
Este método pode ser dividido em dois métodos. Relativo colorimétrico e Absoluto colorimétrico (figura 4).
Quando usamos o método colorimétrico, todas as cores que já estão dentro do gamut destino (1, 2 e 3) permanecem intactas, isto é, não sofrem nenhum tipo de compressão, apenas são ajustadas para melhor acuracidade de cor. Somente as cores que estão fora do gamut serão comprimidas e cada pixel será modificado individualmente, muito semelhante ao que acontece no processo de conversão Saturado.
Esta desproporcionalidade de ajuste de cor provoca uma alteração muito marcante quando convertemos imagens provenientes de diferentes espaços de cor, como, por exemplo, converter de RGB para CMYK. Portanto podemos dizer que este tipo de conversão funciona melhor para conversões de mesmo espaço e que possuem tamanhos muito semelhantes. Um dos problemas mais comuns das conversões entre espaços de tamanho muito diferente é chamado no mercado de “solarização”.
Colorimétrico Relativo ou Absoluto?
Se você optar pelo uso do sistema de conversão colorimétrico, você terá que optar pela escolha do método absoluto ou relativo. Para desmistificarmos isto de uma vez por todas, podemos dizer que estes dois métodos tratam as cores da mesma maneira e somente diferem com relação ao ponto de branco.
Quando usamos o método relativo colorimétrico, o ponto de branco do espaço fonte será trocado para o ponto de branco do papel do perfil destino. Quando utilizamos o método absoluto colorimétrico, o ponto de branco utilizado para as conversões será o ponto de branco do perfil fonte e não se alterará no processo.
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