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Desktop 102 - Como construir um testform - Parte 2 voltar

Artigo publicado na revista Desktop edição 102. Autor: Marcelo Copetti.
O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor.
www.dtp.com.br

    Chegamos à segunda parte de nosso artigo. E, nela, vamos abordar algumas novas questões: como saber se o testform está bem impresso? Como definir os padrões de impressão a serem usados para aquela impressora offset?
    Se a primeira etapa do processo mostrou uma certa complexidade para criar um testform com elementos capazes de informar o que é necessário saber sobre a impressão, veremos que a segunda não é menos complicada.
    Esta etapa está recheada de momentos em que será necessária a tomada de decisões. Pontos em que será preciso muita conversa para que cheguemos a um ponto comum e, por isso mesmo, o primeiro testform impresso não será o melhor, nem mesmo o ideal... mas não desanime!
    As dificuldades compensam...

    Se na primeira tentativa as coisas derem errado e você for forçado a parar, faça um relatório de tudo o que aconteceu. Guarde-o para o dia seguinte e releia. Com certeza, você terá conclusões para as quais não tinha atinado antes. Discuta com os seus parceiros de projeto e até mesmo com técnicos de fora da empresa (fornecedores de tintas, chapas etc.).

O primeiro passo
    Após todo o processo de criação do arquivo e planejamento de como imprimir o testform, é hora de colocá-lo em prática. O primeiro passo é conversar com o fabricante de tintas e da impressora para descobrir quais valores podem ser usados como referência inicial para o papel utilizado.
    Entre esses valores é importante que estejam: densidades, ganho de ponto e ink trapping (sobreposição das tintas).

Impressão homogênea
    O intuito de um testform para criação de perfis ICC é obter a maior homogeneidade possível. Essa característica garantirá que as amostras de cores ao longo da folha reproduzam o comportamento das cores na impressão, evitando que, em determinadas áreas, uma densidade mais alta interfira nas leituras.
    Na Figura 1, mostramos o efeito indesejável das variações de carga de tinta (densidade) em diferentes tinteiros. Nela, usamos uma porção de um IT8 para ser lido com um espectrofotômetro.
    A leitura de uma impressão com variações é fatal para a criação do perfil ICC.

Impressão homogênea
Figura 1 - Observe esta porção do target; temos cores diversas sendo alteradas pelas variações de densidade. Na parte superior da imagem você pode ver a barra de cinzas com as invasões de cores e seus efeitos. Na parte inferior, a barra de cinza neutra, e na última linha, sem as variações de densidade, mostrando o que seria a impressão normal. Esses efeitos foram simulados em um arquivo do Photoshop. Caso queira fazer o download do arquivo e “brincar” com ele para entender melhor os efeitos, vá até o site www.dtp.com.br.

    Um aliado indispensável nesse momento é o sistema CIP3 de préacerto de tinteiros. Para atingir um resultado suficiente para fazer leituras para um perfil ICC, é necessário o uso de instrumentos para medição dos parâmetros, como explicado a seguir. Sem o uso desses equipamentos, não temos como repetir os resultados.

Preparativos
Antes de começar a impressão, você deve realizar alguns procedimentos. O primeiro é a calibração dos equipamentos. O densitômetro ou o espectrodensitômetro possuem procedimentos de calibração. Os densitômetros (Figura 2, abaixo) normalmente possuem cartas de calibração com amostras de cores para que sejam medidas e verificadas. Já os espectrodensitômetros (Figura 3, acima) usam uma cerâmica para fazer a calibração, o que torna o processo mais rápido e preciso. Essas cerâmicas possuem uma curva espectral única e que está armazenada dentro do equipamento. Por isso, não use outra placa de calibração para ajustar seu espectrodensitômetro.

Densitômetro
Figura 2 - Densitômetro. Densi-Eye da Gretag Macbeth

Espectrodensitômetro Serie 500
Figura 3 - Espectrofotômetro com placa de calibração. Série 500 da X-Rite

    Essas referências devem ser muito bem guardadas para que se evite o desgaste prematuro.
    Em alguns ambientes de produção, a tinta chega a formar uma névoa, o que altera o padrão a ser lido pelo equipamento e torna a calibração uma arma contra você. A luz também é um fator de desgaste desses padrões, portanto, guarde-os dentro de suas capas ou envelopes.
    O segundo procedimento é a configuração do seu espectrodensitômetro no status informado pelo fabricante de tintas. No Brasil, o status mais utilizado é o T. Os densitômetros normalmente não permitem a escolha do status, pelo fato de serem definidos em fábrica. Em caso de dúvida, consulte o fabricante.

Objetivos a serem atingidos
    Com a impressão do testform, os parâmetros obtidos têm como objetivos proporcionar o melhor contraste de impressão e um balanço de cinzas mais neutro, nessa ordem.
    A seguir, algumas definições que podem elucidar dúvidas sobre termos envolvidos no processo:
    1° - O contraste de impressão é um parâmetro que traduz a capacidade de manter as variações de cores nas áreas de sombras. O contraste está intimamente relacionado com o ganho de ponto. Um ganho de ponto excessivo irá gerar um contraste de impressão baixo e as áreas de sombras ficarão “borradas”, “entupidas”. Veja o artigo sobre Repetitibilidade em edições anteriores.
    2° - O balanço de cinzas deve ser o segundo objetivo. Mas isso não o torna menos importante. No caso, o contraste deve ser atingido antes e depois de realizado o ajuste para encontrar o “cinza neutro”.
    3° - É importante não perder de vista um objetivo muito importante: as condições de impressão devem ser as melhores para o impressor, permitindo que ele atinja esse mesmo resultado com facilidade e estabilidade durante a tiragem. Não busque densidades muito altas ou muito baixas, e fuja do ganho de ponto excessivo, problemas com água, álcool, condutividade errada, PH alterado. Nesse cenário, o impressor será um aliado, e não um profissional de quem se espera milagres. Que, claro, não acontecem.
    4° - Obter, ao final, uma impressão que vocês considerem de boa qualidade, bem impressa, “bonita”.

Imprimindo e medindo o testform
    A impressão do testform deve ser feita com a impressora aquecida, ou seja, com alguns trabalhos impressos antes.
    Uma ajuda muito útil nesse momento pode ser uma prova de cor contratual que simule um padrão internacional, como o ISO Coated ou, ainda, um monitor para softproof que possa fazer a mesma simulação fiel de cores.
    Assim, o impressor terá uma referência de onde deve chegar e comparar os resultados.

Siga os passos abaixo:
    1 - Inicie o processo ajustando os tinteiros para que os valores de densidade sejam homogêneos ao longo da folha. Não procure, nesse momento, o balanço de cinza ótimo. Trabalhe para atingir as referências do fabricante de tintas e da impressora. O CIP3 pode facilitar o processo. Se o seu sistema de CIP3 está regulado e os tinteiros ajustados (“zerados”, como chamam os técnicos), o ideal é continuar o processo sem fazer ajustes individuais nos tinteiros. Esse ajuste irá dificultar a repetitibilidade dos trabalhos, pois os dados do CIP3 teriam que ser alterados sempre. A quantidade de folhas usadas na impressão é grande. Se você tem um sistema de CIP3 funcionando bem, separe cerca de 2 mil folhas, caso contrário, adicione mil a esse montante. Evite usar “mala”, pois ela altera os resultados da impressão e retarda o seu trabalho. Se quer economizar papel, use o verso em trabalhos futuros, não no testform.
    2 - Atinja um valor de densidade menor do que 0,10 para cada cor. Se possuir o CIP3, faça apenas ajustes gerais, e evite os ajustes por tinteiro.
    3 - Faça ajustes gerais das cores. Não faça ajustes finos de cada tinteiro e vá aumentando a densidade aos poucos enquanto mede o contraste de impressão. Guarde as folhas com anotações.
    4 - Ao perceber que o contraste de impressão começa a cair, pare. Retorne às densidades onde o contraste de impressão esteve mais alto.
    5 - Com ajustes gerais dos tinteiros, procure neutralizar a barra de cinza para atingir um “cinza neutro”.
    6 - Fique sempre atento aos valores de sobreposição das tintas para evitar surpresas, como o vermelho com muito amarelo, ou, ainda, o azul amagentado. Valores iniciais para as sobreposições são: vermelho de 60 a 70, verde de 80 a 85, azul de 70 a 80. Normalmente, atingindo esses valores, o cinza neutro é obtido sem problemas.
    7 - Tome nota das densidades, ganhos de ponto e contraste de impressão. Esses valores serão usados como parâmetros para impressões futuras, seguindo o padrão estabelecido por esse processo.
    8 - Depois de 30, 60 e 90 minutos, respectivamente, faça novas medições e tome nota dos valores. Com eles, será possível identificar a diferença de densidade existente entre a tinta úmida (no momento da impressão) e seca. Essa informação é muito importante quando se deseja fazer medições futuras de impressos e saber se estes foram produzidos dentro dos padrões estabelecidos pelo testform.
    9 - Ao realizar todos esses procedimentos em outras impressoras, busque atingir os mesmos parâmetros de impressão. Com isso, a sua produção será mais flexível, permitindo que o trabalho siga para a máquina que estiver disponível, sem que se precise esperar por um equipamento que possa estar ocupado ou em manutenção.
    Com esses cuidados, você facilitará o seu processo produtivo e, claro, aumentará a produção.
    Os custos associados para que as impressoras fiquem com características de impressão mais próximas podem parecer altos, mas, se eles forem bem planejados, a sua empresa poderá notar, em um futuro bem próximo, a melhoria nos trabalhos.
É a questão do custo/benefício!

Equipamentos necessários
    Este tópico vem para atender a pedidos de leitores que acham importante ter uma relação dos equipamentos disponíveis para a realização das tarefas.
    Dessa forma, segue abaixo uma pequena relação do que sua empresa, obrigatoriamente, deve contar para dar o “pontapé” inicial no procedimento de controle de cores.
    1 - Para a impressão de testforms para quadricromia (CMYK), é necessário um densitômetro ou espectrodensitômetro com os seguintes recursos: Densidade, Ganho de Ponto, Contraste de impressão, Sobreposição de tintas (ink trapping) e seleção de status definido pelo fabricante de tintas.
    2 - Para impressão de testforms para quadricromias (CMYK) + Pantones, ou cores especiais, é necessário um espectrodensitômetro com as mesmas características acima, além de função para leitura em Lab e uma função de comparação entre Pantones para identificar a cor mais próxima na escala em relação ao impresso e vice-versa. Esses equipamentos possuem ainda opções de status para cores como azul, vermelho, verde etc.

O que é uma impressão homogênea?
    Ao se imprimir um testform, uma exigência é a impressão uniforme do trabalho. Mas normalmente o usuário não tem uma noção clara do que é realmente uma impressão homogênea.

Entendendo os tinteiros
    Durante a impressão do testform, a abertura de cada tinteiro, ou chave, é definida pela quantidade de tinta a ser consumida naquela área. Assim cada tinteiro deverá ter uma abertura diferente para atingir a mesma densidade em toda a barra de cores.Na imagem ao lado é possível ver informações de CIP3 geradas para uma impressora offset de 74cm de largura. Caso deseje ver o relatório completo, vá até o site www.dtp.com.br e faça o download.
    Observe as barras, que indicam valores a serem configurados no painel da impressora manualmente, por cartão ou ainda através da rede. As barras maiores indicam valores mais altos para os tinteiros em que a área daquela cor é maior. Com uma área maior a ser impressa, o consumo de tinta é maior, e o tinteiro deve estar mais aberto para que a quantidade de tinta a ser aplicada naquela área seja adequada.
    Uma quantidade de tinta maior do que o necessário terá como resultado uma densidade maior, e uma quantidade inferior causará além da densidade baixa, uma cobertura falha do papel. Em Flexografia fica muito mais fácil, pois os tinteiros não são múltiplos como na impressora offset e, sim, únicos, com controles laterais.

Tolerância
    A imagem abaixo ilustra diferentes situações de densidades altas.
    Ela também mostra como a barra de cinza neutro deve se aproximar visualmente da barra de 50% de preto.
Impressão homogênea

    Como a densidade é um valor que reflete a cobertura do papel pela tinta, é importante ter uma idéia da tolerância aceita para que a impressão seja considerada uniforme.
    Uma variação inferior a 0,05 para cima ou para baixo resultará em um impressão de ótima qualidade e que poderá ser medida para criação do ICC. Para ficar ainda mais claro, um padrão (alvo a ser atingido) de 1,45 pode variar de 1,40 a 1,50.
    Faça medições dentro das zonas dos tinteiros, assim, você terá maior precisão. Em algumas impressoras offset ao alterar um tinteiro, ele afeta sensivelmente as zonas laterais.
Impressão homogênea

Artigo publicado na revista Desktop edição 102. Autor: Marcelo Copetti.
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