Artigo publicado na revista Desktop edição 103. Autor: Marcelo Copetti. O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor. www.dtp.com.br
Quando se fala em “Certificação”, muitos usuários tremem. Nada mais comum. Nós estamos acostumados a trabalhar de forma empírica, ou seja, com base na observação, tentativa e erro. E, com isso, sempre acreditamos que estamos fazendo da melhor forma o nosso trabalho. A Certificação vem na contramão desse cenário. Qual o seu benefício? A subjetividade do processo é eliminada e abre espaço para decisões técnicas. Assim, é possível definir claramente atitudes a serem tomadas para corrigir um problema.
Conceito A Certificação traz consigo a importância de quantificar diferenças de cores durante o processo. É muito comum o erro de achar que é apenas mais um recurso de software ou uma licença a mais a ser comprada, para deixar o sistema mais caro. E é esse erro que a indústria de softwares para sistemas de prova comete. Com a aplicação desse conceito, é possível diminuir dúvidas, verificar a precisão da prova de cor em relação à impressão, comparar resultados etc.
Como certificar a sua prova de cor? Cada sistema de prova de cores possui uma solução específica para verificar se a prova está dentro de determinados parâmetros. Nos sistemas de prova, basicamente, o recurso permite fazer comparações entre informações em Lab contidas dentro um ICC com as leituras do espectrofotômetro. Em cada um deles, existe uma interface diferente para atingir o mesmo objetivo. Como o nosso objetivo não é ser manual de instruções de nenhum software, vamos aos detalhes importantes.
Tarjas de Certificação O padrão Fogra (figura 1) foi criado como uma opção de análise, para ser usado na certificação, pois usa cores de diversas áreas do gamut tonal para realizar a comparação.
 Fig 1 - Amostra do padrão Fogra, utilizado por todos os softwares para certificação
Esse padrão é composto por cores básicas (CMYK), cores sobrepostas (vermelho, verde e azul), cinzas neutros (CMY) e cores diversas (laranja, marrons, verdes, cremes etc). Também é o padrão mais usado e todos os softwares o trazem como opção. Porém, outras opções diversas são oferecidas pelos softwares. Opções com números de cores variados, diferentes áreas do gamut de cores abrangidas etc.
EFI Color Proof XF A ferramenta do EFI Color Proof XF, chamada EFI Color Verifier, tem uma interface bastante amigável, o que torna o seu uso bastante simples. Mas cuidado! À primeira vista, ela pode também confundir, devido à quantidade de informação. Ela permite a comparação de duas medições, ou entre um ICC e uma medição (Fig 2a).
 Figura 2a - Interface do EFI Color Verifier Certificação Fogra EFI General
 Certificação Fogra EFI CMYK
Proof Master O Proof Master emite um relatório que pode ser impresso e analisado. Esse documento contém, entre outros itens, dados sobre o ICC usado para simulação. A interface é simples e direta, conforme mostra a figura 2b.
 Figura 2b - Relatório do Proof Master
Chrome Dot
 Figura 2c - Certificação no Chrome Dot
O Chrome Dot, além dos recursos comuns, permite a criação de padrões específicos para cada uso. Sua interface, muito intuitiva, faz parecer uma tarefa simples (Fig 2c, na página anterior). Nos três softwares, é possível determinar quais os parâmetros que irão definir se a prova está certificada ou não através de suas Preferências.
ProfileMaker O ProfileMaker não é um software RIP para prova de cor; ele é um software para criação de perfis ICC. Mas, então, por que ele deveria estar aqui? Entre as ferramentas que ele oferece está a Measure Tool. É uma ferramenta que tem como objetivo principal fazer as medições dos mais diversos targets para posterior criação do ICC. Essa ferramenta é voltada a uso profissional e, se quer utilizá-la, terá que aprender a ler as informações onde quiser que elas estejam. Se você é o tipo de usuário que gosta de conhecer a fundo determinadas funções, esse é um prato cheio. Com o recurso de comparação (Comparing), é possível obter as mesmas informações mostradas pelas ferramentas anteriormente citadas, porém, de forma “bruta”. Ou seja, temos os seguintes procedimentos: 1. Faça a leitura (recurso chart do Measure Tool) de uma das opções que o Profile Maker traz para o padrão Fogra, ou, ainda, crie o seu próprio padrão. Os padrões listados no recurso Chart, são baseados em arquivos texto, com valores em Lab. Então, se você consegue os valores Lab do seu ICC, você está apto a criar sua própria referência. De posse do padrão a ser usado, faça a leitura da sua impressão. 2. Usando o recurso de comparação, escolha a sua referência (campo 1 da fig 3, próxima pág.) e a sua leitura da simulação na prova (campo 2 da fig 3 próxima pág.). 3. Faça a análise dos dados oferecidos e você terá muitas respostas. Por exemplo: a média dos erros (Delta E); o erro máximo marcado, em vermelho, no target; e o Delta E de cada uma das cores básicas, obtido ao se clicar sobre cada uma delas. Em suma, são as mesmas informações mostradas pelos softwares descritos anteriormente. Sendo assim, quais são as vantagens? Pode ser usado em qualquer sistema, em qualquer situação. Veja o tópico “Indo além da certificação”. Desvantagens? Não é prático, nem tampouco integrado ao software de prova. Se você necessita certificar provas antes de enviar ao seu cliente, opte pelo recurso do seu sistema de provas.
 Fig. 3 - Measure Tool do ProfileMaker
Parâmetros: quais usar? Mas, quais os parâmetros que devemos usar? Como encontrar os valores e que estão de acordo com a realidade da sua empresa? Se a Certificação, por conceito, deve seguir padrões que a tornem confiável, temos a ISO para nos balisar. Segundo a ISO, a diferença em relação à referência deve ser:
Papel (Substrate): 3.0 Delta E Aqui, reflete-se a diferença entre a cor de papel do padrão e o da sua leitura. Mas, para a nossa realidade, é a leitura de menor importância. Por quê? Colete amostras de papel de diferentes lotes na sua empresa - couché, reciclato etc. Faça medições de cada uma delas e verifique a variação de cores. O papel não tem padrão consistente de coloração. Esse é o principal motivo de as simulações dos papéis coloridos nos sistemas de prova serem tratadas de forma apenas aproximada, pois o papel pode mudar de cor a qualquer momento. No Profile Maker, clique sobre a amostra de branco do papel no padrão Fogra medido.
Média (Average): 4 Delta E Essa média reflete a soma de todas as diferenças entre as cores e as divide pelo número de amostras, fazendo uma média aritmética simples. Dá uma noção de quão próxima está sua prova da impressão que está sendo usada como referência.
Máximo (Maximum): 10 Delta E Essa medida indica o maior erro possível, dentro da norma. Um erro de cor de 10 Delta E muda completamente a cor, portanto, se você está próximo desse valor, reveja seu processo. Erros como esses, apesar de estarem dentro da norma, podem causar grandes problemas.
Cores básicas CMYK (Primary): 5 Delta E Aqui, temos a indicação da precisão do sistema de prova para representar as cores básicas. A norma ISO é para ser seguida. Ela estabelece padrões, o que é muito importante. Mas, ao chegar próximo aos valores de tolerância definidos na ISO, você está correndo o risco de extrapolar. Busque estar na metade inferior dos valores definidos na norma. As tolerâncias oferecidas pela ISO podem ser ser suficientes para sua empresa, ou, ainda, podem ser muito baixas e o seu processo não permite atingi-las. Procure, dentro do seu processo, fatores que possam interferir no seu processo. Alguns exemplos são: - Ganho de ponto diferente entre várias impressoras pode exigir que a tolerância seja aumentada. No sentido contrário, ao se reduzir a tolerância, será necessário reduzir ao mínimo possível as diferenças entre as impressoras. Verifique também se a mesma impressora tem o ganho de ponto estável ao longo de diversos trabalhos. - Mudança constante de insumos buscando apenas preço. Com essa prática, torna-se quase impossível adotar padrões. - Tintas matizadas. Essas tintas são, normalmente, escalas mais baratas, e suas cores não são puras. Isso pode evitar atingir os parâmetros nas cores básicas, além de evitar obter cores mais limpas, como tons de pele etc. - Variação durante a impressão. Colete algumas folhas durante a tiragem de um trabalho; se possível, com uma tarja de certificação impressa, e faça medições para descobrir o Delta E dentro da tiragem. Se for maior do que o padrão estabelecido, reveja os seus parâmetros.
Indo além da Certificação O uso criativo das mesmas ferramentas que são usadas para certificar a prova pode fornecer informações valiosas dentro do gerenciamento de cores. Como informação é uma arma dentro do Gerenciamento, use as técnicas abaixo para conhecer melhor o seu ambiente de trabalho e os materiais que você usa.
Avaliação da estabilidade de cores no papel Todo papel de prova contratual deve ter uma estabilidade de cores durante um longo período. Fazendo leituras diárias da mesma impressão e comparando a leitura do dia com a leitura inicial, você pode verificar se seu papel é ou não estável. Quando o papel começar a alterar a cor de forma significativa, você terá descoberto o limite. Esse período deve ser maior do que o seu processo de trabalho. Se for menor, você se verá obrigado a reimprimir a prova, e o custo da sua prova ficará mais alto.
Avaliação da precisão de cores simuladas no papel Com as leituras de simulações em diferentes papéis, com suas próprias calibrações e ICCs aplicados, você pode descobrir numericamente a precisão de um determinado tipo de papel.
Avaliação de mudança de cores no papel Quando o processo de criação de um ICC para um sistema de prova e um papel específico é feito, é necessário esperar de 30 minutos a uma hora para poder fazer a leitura, correto? Com o mesmo processo de comparação entre leituras, você pode determinar se a primeira leitura é igual, ou extremamente próxima, à de uma ou duas horas depois. O que você ganha com isso? Agilidade! Pode não ser necessário esperar tanto tempo para esta leitura no papel em que você fez análise. Mas, não se apresse; isso não vale para todos os papéis. Faça uma análise antes.
Variação do espectrofotômetro: como conhecer? Os espectrofotômetros, normalmente, têm uma repetibilidade de mais ou menos 0,02 Lab. Faça medições consecutivas do mesmo impresso e você terá uma boa idéia de quanto o seu equipamento está variando. Se você encontrar variações acima de 0,07, elas indicam que você deve reavaliar o seu equipamento.
 Comparação de resultados entre dois papéis contratuais diferentes
Artigo publicado na revista Desktop edição 103. Autor: Marcelo Copetti. O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor. www.dtp.com.br |