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DeskTop 108 - Editando perfis ICC - parte 1 voltar

Artigo publicado na revista Desktop edição 108. Autor: Marcelo Copetti.
O conteúdo deste artigo, incluindo texto, imagens e ilustrações, não podem ser reproduzidos em parte ou na íntegra, sem a autorização por escrito do autor.
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    Quantas vezes você criou um perfil ICC e achou que faltava um pequeno detalhe para que ele ficasse perfeito? Ou, em outras situações, você percebeu que o balanço de cinza estava com invasão de uma determinada cor (amarelado ou amagentado, por exemplo)?
    Para corrigir esses pequenos defeitos, nós editamos os ICC.
    Estes artigos querem mostrar detalhes sobre a edição de ICC, ou seja, como editar e quais são as escolhas certas.
    A primeira parte, que será apresentada nesta edição, irá mostrar os conceitos básicos da edição. A segunda parte mostrará as outras opções de edição dos perfis.
    Como as opções de edição, conceitos e aplicações mostradas aqui são muito parecidas nos vários softwares disponíveis no mercado, utilizaremos o Profile Editor como base.

Mas, por que é necessário editar um ICC?
    Cada dispositivo tem peculiaridades. A principal delas é a instabilidade, o que faz com que um perfi l ICC precise ser editado. Uma impressora offset, por exemplo, tem variações de impressão ao longo da folha. Cada tinteiro age diretamente com diferentes quantidades de tinta em cada zona (leia o artigo sobre repetitibilidade para conhecer mais sobre as zonas de tinteiros). Com essas características, é normal que haja variações de leitura dentro do mesmo target, e estas são responsáveis por algumas das diferenças entre a prova e o impresso.

As primeiras escolhas
    O Profile Editor tem a sua tela principal dividida em três partes, chamadas de A, B e C.
    A primeira delas, a parte A, permite escolher a quantidade de ICC envolvida na edição - o que, por sua vez, refl etirá nas opções da parte B. Com apenas um ICC, as duas direções (CMYK para LAB e LAB para CMYK) serão mostradas, como na Figura 1.

Figura 1 - Tela principal do editor de ICC

    A figura 2 mostra a escolha de três ICC. Essa opção permite escolher os ICC envolvidos em um workflow e entender quais as direções que são usadas.

Figura 2 - Tela principal do editor de ICC

Conversão de RGB para CMYK
    Para entender a edição, você precisa conhecer o caminho que a cor faz ao longo do processo.
    Ao escolher a direção da edição, você deve ter em mente o resultado a ser obtido, para isso, usaremos a conversão de RGB para CMYK para que entenda melhor. Cada direção a que nos referimos é a conversão de cores realizada.
    Observe que, na fi gura 2, o valor em RGB de uma imagem aberta no Photoshop ao ser convertida para CMYK obedecerá basicamente dois passos:
    Passo 1 - O Photoshop irá buscar no ICC o valor em RGB e a sua correspondência em Lab no ICC Adobe RGB, sempre obedecendo a intenção de renderização escolhida (perceptual, saturação, colorimétrica absoluta ou relativa).
    Passo 2 - Com o valor Lab defi nido, o Photoshop vai buscar no ICC ISO Coated V2 ECI a correspondência em CMYK.
    Já que você conhece o caminho da cor dentro do seu workfl ow, poderá defi nir em qual ICC e em que direção a edição deverá ser realizada. A escolha dos três ICC permite, por sua vez, visualizar de forma clara o seu workfl ow, facilitando a identifi cação de onde a edição deverá ser feita, tornando-a mais eficiente.

Editando os ICC de um sistema de prova
    Outro exemplo. Imagine o seguinte cenário: a prova de cor está com os tons de cinza amarelados. O ICC de simulação em CMYK que é utilizado no sistema de prova é o mesmo utilizado no Photoshop (Color Settings - CMYK) para gerar a soft proof. O monitor mostra os mesmos tons de cinza neutros, ou seja, sem o excesso de amarelo. Existem dois caminhos possíveis para esta edição: o primeiro deles é alterar a cor no momento da simulação, escolhendo a direção CMYK para LAB do ICC de simulação (ISO Coated V2). Não recomendo esse caminho, já que estaríamos alterando o ICC de simulação,que está correto, conforme nos mostrou a soft proof no Photoshop.
    A segunda opção, e mais acertada, é a escolha da direção LAB para CMYK do ICC do papel do sistema de prova. Dessa forma, a correção será feita exatamente onde está o erro referente à quantidade de cada cor CMYK que o sistema de provas está colocando no papel.
    Mas não tome essa decisão se a sua prova não estiver linearizada, pois um erro desses pode ser resolvido com a linearização em alguns casos. A intenção de renderização deve ser a colorimétrica relativa caso a cor do papel não seja simulada, ou a colorimétrica absoluta caso esteja simulando a cor do papel.

Visualizando as edições
    Na terceira parte da tela principal, você poderá escolher uma imagem para aplicar as mudanças.
    É importante observar o espaço de cores que a imagem deve ter para ser usada como preview dos resultados da edição. No texto aparecerá a informação do espaço de cor (RGB, Lab ou CMYK).

Figura 3 - Preview das alterações

    Ao abrir uma imagem, você poderá vê-la em uma janela com controles de zoom, enquadrar e rotacionar. Os controles deslizantes permitem defi nir as áreas em que as edições serão mostradas.
    Toda a área mais clara da imagem está mostrando o resultado da redução em todas as curvas (mova os controles deslizantes para identifi car as mudanças) e, do lado direito, uma paleta de valores mostra várias informações, como valor de entrada ou inicial (input), valor não editado (unedited), amostra de cor, valor editado (edited) e posição do ponto escolhido (xy), ilustrado pela cruz.

Editando curvas (Gradations)
    A edição de curvas é semelhante à de outros softwares. A sua característica principal é a alteração de uma das cores básicas (CMYK) ou de várias delas, permitindo alterações independentes para cada cor.
    O mais importante é lembrar que alterações em curvas fazem com que várias áreas do espaço de cor sejam afetados. Como exemplo, a alteração da curva Magenta (fi gura 4) irá alterar cores como: laranjas, vermelhos, cinzas neutros (compostos por CMY), verdes escuros etc. Esse recurso é poderoso, pois permite alterar signifi - cativamente o resultado fi nal.
    Mas cuidado! Se o seu objetivo for alterar o laranja que fi cou avermelhado, você estará alterando também cores importantes como azuis, verdes, cinzas neutros etc.

Figura 4 - Edição da curva do magenta

Editando o balanço de cinzas (Gray Balance)
    O balanço de cinza é talvez o mais importante fator de balanço das cores. Justamente por isso a maioria dos usuários procuram corrigi-lo no sistema de provas com tanto afi nco.
    Com o controle de cada uma das cores básicas podendo ser feito de forma independente, é possível corrigir tanto um cinza amarelado, um quanto esverdeado.
    No primeiro caso, basta reduzir a curva do amarelo, enquanto que, no segundo caso, reduzir a curva do amarelo e do cyan pode resolver, mas o uso da cor complementar pode servir também, adicionando-se o magenta.

Figura 5 - Edição do balanço de cinza

Salvando o ICC editado
    Para que as alterações tenham efeito é necessário salvar o ICC. Na caixa de diálogo existem duas formas de realizar o salvamento: o fácil (easy) e o manual.
    O modo fácil fará as escolhas certas para você. Mas, caso opte pelo método manual, você verá as operações que o software fará, como: direção em que as edições foram feitas, as intenções de renderização e o nome interno que o ICC terá - o qual, normalmente, é o mesmo do arquivo.
    Caso deseje colocar um para o arquivo diferente do nome interno, desmarque a opção Write fi le name into desc-tag. Mas faça isso apenas se tiver uma razão muito forte, pois ela poderá gerar grandes transtornos.

Figura 6 - Salvando as alterações

Cuidado com as alterações
    Todas as edições devem ser feitas com muito cuidado. Elas devem ser testadas antes de serem colocadas em produção.
    A principal sugestão é a de que se faça um teste amplo, com cores diversas (cinzas, neutras, pastéis, saturadas etc.). Dessa forma, você poderá ter certeza de que não há erros escondidos ou, ainda, que eles sejam tão pequenos que possam ser aceitos.
    Não caia no erro de realizar um teste usando como base apenas um trabalho. Este normalmente representa apenas uma pequena quantidade das cores de cada dispositivo.

Artigo publicado na revista Desktop edição 108. Autor: Marcelo Copetti.
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