Agora que você já leu os quatro primeiros artigos e já tem uma noção geral das variáveis que envolvem o Gerenciamento de Cores, vamos responder a seguir algumas das perguntas mais comuns na hora de implementar o Gerenciamento de Cores.
Como você pôde perceber, o gerenciamento de cores não é complicado. No entanto, requer critérios, assim como a participação de todos dentro de uma organização, além de investimento em alguns equipamentos básicos. Você também viu nos artigos anteriores por que existem diferenças na reprodução de cores entre diferentes periféricos e por que espaços independentes, além de instrumentos de medição, existem e devem ser utilizados para se obter sucesso.
Quanto menor for o número de variáveis do seu processo, mais rapidamente você conseguirá implementar o Gerenciamento de Cores no seu dia-a-dia. Por exemplo, para um designer, que trabalha somente com um computador e talvez cores especiais, é um tanto simples, já que na maioria das vezes o que ele precisa fazer é simplesmente calibrar o seu monitor e esperar que o resultado impresso saia do jeito que ele imaginou. No entanto, já existem softwares bastante acessíveis para qualquer designer transformar a cor do tijolo da parede à sua frente em números e, portanto, em padrões que poderão ser seguidos durante a reprodução da sua arte em qualquer mídia, sendo ela um painel ou mesmo um impresso comercial ou uma embalagem.
Quando se trata de um processo mais complexo ou com mais etapas, como o sistema de impressão Offset, o número de variáveis é muito maior e, por isso, em cada etapa tudo deve ser controlado para que a consistência prevaleça.
Você deve estar se perguntando: "Por onde eu devo começar?" E a resposta é direta: pelo monitor. Calibrar a sua janela para o mundo digital deve ser o primeiro passo dentro do mundo do Gerenciamento de Cores. O processo é bastante simples e não leva mais do que 15 minutos. A pergunta mais comum nesse caso é: "Mas depende do monitor que eu tenho? Eu preciso de um monitor especial?" Geralmente isso depende do tamanho dos espaços de cor com os quais você trabalha e também do nível de precisão a que você quer chegar. Os preços dos monitores não variam por acaso, os melhores são mais caros, e a dor de cabeça que você economiza é proporcional.
A segunda etapa da implementação do Gerenciamento de Cores é tornar a impressora capaz de reproduzir da melhor maneira possível o que você vê no monitor. Não existe necessidade de ser uma impressora profissional. Pode ser uma impressora laser ou até aquela inkjet que até hoje você só utilizava para imprimir suas apresentações ou fotos da família. Isso fará com que você use essa impressora para experimentos com conversões e aplicações de perfis ICC e lhe deixará muito mais seguro para seguir os próximos passos.
Depois de calibrar o seu monitor e a sua impressora interna você deve partir para o scanner ou para a máquina fotográfica digital. O processo é mais rápido do que o do monitor, mas necessita de um pouco mais de compreensão na hora de aplicar o perfil ICC no seu aplicativo preferido. O scanner e a máquina fotográfica digital são os periféricos de entrada e por isso devem sempre ser levados muito a sério, já que qualquer problema que você gerar nesse momento pode ser perpetuado até o produto final ou gerar muitas horas de retoque desnecessárias.
A impressora ou o seu periférico de saída, que pode ser um projetor multimídia, uma impressora de grande formato ou de provas (offset, rotogravura ou flexográfica, entre outras), deve ser a última etapa neste processo. Em alguns casos, onde não existe a preocupação do soft-proof e nenhum sistema de entrada, a impressora pode ser o primeiro e único periférico em que a sua empresa deseja aplicar o Gerenciamento de Cores. Não há nada de errado com essa escolha, já que tudo isso é uma ciência em que o cientista é você e encontrar a melhor maneira de encaixar o Gerenciamento de Cores no seu fluxo de trabalho é a sua missão.
Fluxo de trabalho. Essa é a chave para o seu sucesso. O fluxo de trabalho abrange desde como você recebe os arquivos e os manipula até quando eles saem do outro lado do fluxo digitalmente ou são reproduzidos em papel ou em algum outro tipo de mídia digital. O processo varia de acordo com o seu equipamento e pode ser bastante automatizado dependendo do que você procura. O sistema operacional da Apple, por exemplo, pode ser configurado para converter arquivos que entram em um determinado diretório para um perfil pré-estabelecido e salvar uma cópia ou mover o original para um outro diretório automaticamente.
Poderíamos ainda escrever mais 1000 páginas sobre dicas de como utilizar o gerenciamento de cores para cada área do seu processo e com certeza isso irá acontecer no futuro, mas esta série de artigos tem como objetivo iniciar você nessa ciência e lhe tornar um pouco mais confiante em começar essa jornada. Esperamos que você tenha aprendido o porquê de as cores não serem iguais em diferentes periféricos e como você pode criar um espaço de cor para cada um dos periféricos no seu fluxo de trabalho, tornando o seu dia-a-dia mais fácil e economizando o seu tempo e dinheiro.
Finalizando, gostaríamos de lhe incentivar a parar de adivinhar como as cores sairão no final do processo e começar a utilizar ferramentas para se certificar disso. Fluxo de trabalhos convencionais funcionam, mas eles podem ser muito melhorados por essa tecnologia, o que fará tudo mais rápido, fácil e previsível. Existem milhares de pessoas utilizando o Gerenciamento de Cores no seu dia-a-dia. E a razão pela qual você não ouve muito a respeito do sucesso dos outros é porque funciona muito bem e é uma vantagem competitiva. Daqui pra frente, é com você.
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