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1.3 Formação da Cor voltar

Para que as cores possam ser gerenciadas, primeiramente precisamos identificar quais são os elementos que permitem a sua existência. A cor só pode ser enxergada se existirem três elementos básicos: luz, objeto e oobservador.

No último artigo da série, comentamos sobre a importância da iluminação para as cores. Em 1675, Isaac Newton publicou o enunciado da decomposição da luz, provando que a luz branca de diferentes fontes luminosas possui cor. Sendo assim, para que possamos enxergar corretamente as cores, devemos primeiro nos preocupar com qual é a fonte luminosa que utilizaremos para analisar as cores.

Nos dias atuais, muito se fala em fontes luminosas padronizadas para análise de cor, como, por exemplo, os iluminantes D50 ou 5000 K. Essas fontes luminosas apresentam um equilíbrio energético maior que as outras, isto é, apresentam uma proporcionalidade maior de emissão de vermelho, verde e azul violeta, que são as três cores primárias da luz. Essa proporcionalidade permite ao observador normal enxergar de forma não tendenciosa um objeto. Caso a fonte luminosa utilizada apresente leve tendência ao vermelho, por exemplo, o observador vai consequentemente enxergar predominantemente o vermelho em qualquer que seja a imagem. Se na indústria gráfica nos preocupamos tanto com o balanceamento cromático do impresso, porque não utilizar uma fonte luminosa que nos permita avaliar adequadamente este equilíbrio? Esta fonte luminosa deve ser a D50.

Para o observador, sobram os problemas relacionados à visão, como daltonismo, miopia, hipermetropia, astigmatismo, cansaço visual, efeitos relacionados à idade e a própria sensibilidade limitada da visão. Cada uma dessas características promove certa distorção na acuidade visual para cores. O daltonismo, por exemplo, está presente em um a cada 13 homens e uma a cada 300 mulheres, ou seja, é um problema muito mais comum nos homens. Muitas vezes estamos trabalhando com um daltônico, sem saber, e este pode estar em posição de decisão sobre cores.

Para avaliarmos a acuidade visual para cores, existe um teste chamado Munsell Farnsworth, que visa identificar quais as regiões de maior e menor sensibilidade do observador. Este teste se baseia no princípio da organização de vários módulos coloridos em seqüência lógica, por um período determinado e uma iluminação padronizada, em que se avalia através de um software a acuidade visual para cores. O daltônico será Protânope  se tiver deficiência para vermelhos, e verá todas as cores como resultantes da mistura apenas de azul e verde. Será Tritânope se tiver deficiência causada pelos receptores de azul, confundindo normalmente azul com verde, e será Deuterânope quando a deficiência se der nos receptores de verde, confundindo vermelho e azul com verde. Outra limitação do observador é a sensibilidade em relação à distância, pois quando estamos próximos ao objeto analisado (menos que 2m) possuímos uma sensibilidade de apenas 10º para distinção de diferenças de cor  e, quando estamos longe, possuímos uma sensibilidade de apenas 2º.

Os objetos também fazem parte da formação da cor e são eles que irão interagir com a luz, permitindo sua reflexão e absorção. Uma cor preta absorve mais luz que uma cor branca, o que dá uma sensação térmica muito maior. Para o vermelho existir, é necessário que os comprimentos de onda de vermelho sejam refletidos e os demais absorvidos. O verde, por exemplo, absorve os comprimentos de onda de azul e vermelho, e reflete apenas o verde.

Quando comparamos as cores sobre diferentes suportes de impressão, como papel, lona, PVC e outros, devemos saber que as cores se comportam de forma diferente, principalmente na relação química das tintas e pigmentos com estes suportes. Este comportamento pode tornar a cor resultante muito instável. Quando comparamos eventualmente uma prova de impressão, ou uma cor em um determinado suporte, com a mesma cor ou prova obtida em outro suporte, poderemos em determinados iluminantes achar que está muito diferente e em outros iluminantes achar que está igual. A este fenômeno, dá-se o nome de metameria de iluminante, causada pela diferença de interação físico-química entre luz e abjeto. A metameria pode ser evitada ou minimizada se substituirmos eventuais padrões de impressão por padrões considerados padrões de produção, feitos com o mesmo suporte e as mesmas tintas que serão utilizadas na produção.
 

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