A cor sempre foi e sempre será importante para o ser humano. Na indústria gráfica não é nada diferente. Os profissionais gráficos precisam ter um meio pelo qual possam se comunicar e definir padrões para reprodução.
Antigamente era muito comum encontrar profissionais gráficos com experiência em traduzir uma cor em valores CMYK. Atualmente tudo se tornou mais difícil, pois como falamos no artigo anterior, a existência de inúmeros periféricos torna isso praticamente impossível. Muitas são as variáveis de um processo de impressão, seja ele digital ou não, mesmo porque a cor passou a ser avaliada também por meio de um monitor, que na grande maioria das vezes, por não estar calibrado, ou danificado, engana completamente o profissional gráfico. Por estas e por outras razões, dizemos que os espaços CMYK e RGB são considerados dependentes. Para que tudo se torne mais fácil para o profissional gráfico, é necessário que ele passe a trabalhar com um espaço que independa de todas as variáveis dos processos, que seja guiado por números absolutos da cor.
Em 1931 a Comissão Internacional de Iluminação (CIE), desenvolveu o primeiro modelo matemático baseado em observadores considerados normais, construindo o chamado diagrama de cromaticidade CIE 1931. Surgia então o primeiro espaço de cores independente, capaz de especificar uma cor por meio dos seus atributos básicos, isto é, Tom, Luminosidade e Saturação.
Em 1964, a mesma Comissão desenvolveu um novo estudo com observadores normais, a fim de identificar possíveis diferenças na sensibilidade visual humana, e se chegou à conclusão que um novo espaço poderia definir melhor o que a visão humana poderia enxergar. Surge então o diagrama de cromaticidade CIE 1964. Somente a partir deste é que foi possível a comparação de um padrão de cor com uma amostra. Em 1976, A CIE desenvolve o espaço L*a*b*. Baseado nos seus antecessores, o L*a*b*, permite pela sua perfeita simetria, que a cor possua um endereço cartesiano, tal como latitude, longitude e altitude. Desta forma, tornou-se muito fácil a especificação Absoluta de uma cor. Portanto, é esse espaço que deve ser o merecedor de nossa especial atenção, pois é a partir dele que surgem todas as especificações e normas para a indústria gráfica nos dias atuais.
Além disso, o espaço LCh°, também foi criado a partir do L*a*b*, permitindo de maneira precisa identificar o Tom, a Luminosidade e a Saturação de uma cor por meio de coordenadas polares. Existe ainda certa resistência de muitos profissionais em trabalhar com esta valiosa ferramenta, pois estão habituados a trabalhar pelo método da tentativa e erro. Quando somos guiados por números, a possibilidade de erro é muito menor, principalmente se todo o processo estiver gerenciado desta maneira. Não é interessante saber se a cor reproduzida está de acordo com a cor do original? Pois é, este “sonho”, já é realidade desde 1976, e o que devemos fazer é utilizar estas ferramentas. Não se esqueça de que a cor é alterada totalmente pela luz, e, portanto, os valores de L*a*b* também são. Por isso, preocupe-se com o iluminante utilizado para a medição/observação, assim como o meio em que se está avaliando. O principal software de tratamento e manipulação de imagens existente no mercado, possui valores de L*a*b* e também LCh para guiar os profissionais e garantir um resultado final muito mais confiável. Basta então que os profissionais lancem mão desta ferramenta.
Esta série de artigos não tem a mínima pretensão de esgotar este assunto, nem mesmo nos aprofundar em teorias de cor, mas de despertar interesse em você, leitor. Por isso, colocamo-nos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas que surgirem.
|