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1. Por que precisamos gerenciar as cores? voltar


Este artigo inicia uma série de cinco, com o objetivo de desmistificar o
gerenciamento de cores. Para a grande maioria das pessoas, enviar um
arquivo para uma impressora e ver um resultado totalmente diferente do
esperado é incompreensível. Para outras é completamente natural. Na
verdade, isso depende da área em que você atua. Para designers e
profissionais criativos, como fotógrafos e diretores de arte, a coisa
deveria funcionar e ponto. Para profissionais de artes gráficas, que
geralmente são muito mais técnicos do que criativos, isso simplesmente faz
sentido. Entretanto, um grande número de profissionais hoje em dia ainda
não entende o que acontece por trás da cortina.

Com o crescimento do número de diferentes periféricos digitais na vida
profissional gráfica, descobriu-se que nem mesmo impressoras ou monitores
da mesma marca, ano de fabricação ou modelo têm exatamente as mesmas
características de reprodução. Foi por isso que um grupo de empresas criou
o famoso ICC, abreviação para International Color Consortium (Consórcio
Internacional da Cor). Esse consórcio, fundado por empresas como Adobe,
Apple, Agfa e Kodak, entre outras, criou uma linguagem padrão para que os
computadores pudessem reproduzir e captar cores corretamente em diferentes
periféricos. Essa linguagem é o gerenciamento de cores e, dentro dela, os
diferentes "dicionários" são os perfis ICC.

Também não podemos simplesmente achar que os perfis ICC são a solução para
todos os problemas de cor, porque temos que considerar que na indústria
gráfica o número de variáveis é extremamente grande. O controle de processo
deve estar cada dia mais aprimorado para garantir o perfeito funcionamento
do fluxo de trabalho. Portanto, a consciência de gerenciamento de cores
deve ser muito mais ampla e atingir o que chamamos de 4 P’s da indústria
gráfica, projeto gráfico, pré impressão, impressão (printing) e
pós-impressão.

Conhecer como uma impressora (seja ela qual for) reproduz cor é essencial
para iniciar um processo de gerenciamento de cores, e para isso o uso de um
simples densitômetro é fundamental. Da mesma forma que linearizamos uma
prova digital ou impressora de grande formato, devemos sempre linearizar uma máquina impressora seja ela plana ou rotativa.

Na grande maioria dos softwares gráficos utilizados nos mercados já
citados, os profissionais recebem e criam imagens e cores em alguns modelos
de espaços de cor bastante conhecidos. São eles: RGB, CMYK, Hexadecimal
(internet) e L*a*b*. Você pode estar pensando agora: "Então é por isso que
as cores do meu monitor não saem iguais às cores da minha impressora,
certo?" Na realidade, não. Os periféricos reproduzem cores de maneira
diferente, independentemente se possuem o mesmo modelo de espaço de cor ou
não.

Faça o seguinte teste: crie dois arquivos iguais com o espaço de cor RGB um perfil qualquer no seu programa favorito para tratamento de imagens e pinte a cor do fundo com
os valores de R = 155, G = 50 e B = 150. Pegue um dos arquivos e o abra em
outro monitor. Se a cor estiver diferente, um dos monitores (ou ambos) está
descalibrado. Se você fizer o mesmo teste com valores CMYK para sua
impressora de prova ou de grande formato, ou mesmo impressão offset, vai perceber que precisa de ajuda, e muitas vezes, profissionais do mercado corrigem essas diferenças
manualmente através do método tentativa e erro, o que não é nada produtivo
nem tampouco econômico.
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